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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cultura - uma visão.

Tiago,

Inteiramente de acordo com a importância da Cultura para o desenvolvimento de um Povo, assim como, também, entendo que a Cultura pode servir de indicador de desenvolvimento de um País. Pois, como dizes, e bem, quem se preocupa com Cultura em principio já ultrapassou todo um conjunto de questões primárias e essenciais.
No entanto, isso não significa que a População tenha que ser educada ou forçada a apreciar e entender qualquer tipo de Arte. Andas mal, quando esqueces todas as causas que promovem o aumento do nível cultural de um Povo. Os Nórdicos não são mais cultos que nós porque sim ou porque alguém, de repente, se lembrou de decidir que todos eles deviam ler no metro ou no autocarro.
De facto, falar das franjas (vanguardas) é muito bonito e romântico, mas, não dizes quem define o que é bom ou mau! Quando defendes o subsídio/financiamento – como é comum no meio artístico – omites i) quem deve subsidiar ii) quem deve ser subsidiado iii) o que realmente é importante subsidiar iv) porque é que deve ser subsidiado. Ora, como não partilho dessa visão Socialista e como não acredito que as Pessoas devam ser educadas por decreto, prefiro que sejam as pessoas (se quiseres, o Mercado) a decidir, por elas próprias, o que querem comprar, ver ou pagar. E não uma entidade qualquer com gostos no mínimo duvidosos. Não é pelos subsídios acabarem que a Arte deixa de existir, longe disso. Preocupante é a situação actual, onde o Público é concorrente directo do Privado (o que, desde logo, vai contra todos os princípios de mercado livre), ou seja, enquanto o Estado continuar a subsidiar, vai afastando o investimento Privado. É impraticável concorrer com quem dispõe de dinheiro para esbanjar.
Vê o caso do Rivoli – que conheces bem! Durante a fase dos subsídios tinha uma média de 15 espectadores por espectáculo, após a mudança para um Privado está cheio, deu vida à baixa, dinamizou o turismo e, consequentemente, a Economia da Cidade. Isso é mau?
Mais, o que é criticável nos artistas (?) é exactamente esse pensamento de se acharem superiores e mais cultos que os outros. Essa postura está bem patente no texto anterior, onde afirmas o seguinte “…não enche salas de cinema e nem todos têm a sensibilidade para o poder entender…”! Bom, seguindo um critério lógico, se milhões não entendem e apenas algumas dezenas o conseguem…A conclusão deixo-a para ti! Outro exemplo dessa superioridade moral, que vigora no meio artístico, é a frase pérolas a porcos. Ao que parece, quem partilhar os teus gostos é um erudito, o contrário é um porco! Gostava era de saber quem é que decide o que é bonito ou feio, bom ou mau, etc... Pena que não se perceba que o que uns gostam outros podem não gostar. Chama-se Democracia e respeito pela vontade diferente. No fundo, é a Liberdade!
É lamentável acreditares que o subsídio é sinónimo de Arte, pior, sofres do preconceito que quem é contra os subsídios (no caso, à Cultura) não gosta de Arte ou é ignorante.