
Nos anos recentes temos assistido a um crescente fenómeno de consumismo em toda a Europa, associado normalmente aos Centros Comerciais. Portugal tem sido também fruto deste fenómeno. Este fenómeno tomou conta dos mecanismos de urbanização das cidades, tanto sociais como politicas e tornou-se um mecanismo essencial para definir as nossas zonas metropolitanas.
A cidade passa a ser constituída por várias centralidades, passando a perder o domínio das ditas baixas da cidade, normalmente locais onde se desenrolava toda a vida económica e social da mesma em relação às coroas e periferias urbanas destas, onde se instalam os grandes centros comerciais, onde tudo é oferecido ao consumidor.
É obvio que este fenómeno, apesar de recente já criou um público, e já se enraizou nos hábitos de vida dos Portugueses. Minimizar este fenómeno ou arranjar uma solução para os centros das cidades, é urgente. Os centros cada vez mais decadentes são tornados novos vazios urbanos. Os centros comerciais têm de vir a fazer parte de uma rede de relações que passarão a governar a vida da cidade actual.
Esta mutação territorial está intimamente ligada as modificações socioeconómicas que o pais sofreu após o 25 de Abril de 1974. Com a queda do regime fascista em Portugal, assistimos a uma verdadeira revolução territorial das zonas costeiras, especialmente das zonas próximas de Lisboa e do Porto. Com a incorporação na comunidade Europeia nos anos 80, Portugal assistiu a um desenvolvimento da sua economia galopante, e onde o poder de compra dos próprios portugueses foi aumentado de uma maneira fora do normal. Em poucos anos o pais passou de uma economia essencialmente agrícola e fechada a uma economia liberal e com uma explosão do consumo enorme. A entrada em Portugal das marcas internacionais, dos franchisings, provocou uma súbita mudança nos hábitos dos portugueses.
Nos anos setenta assistimos à abertura dos primeiros centros comerciais,
mas só nos anos 80 e posteriormente 90 é que assistimos a uma vaga de comércio alternativo ao comércio tradicional dos centros das cidades.
mas só nos anos 80 e posteriormente 90 é que assistimos a uma vaga de comércio alternativo ao comércio tradicional dos centros das cidades.
É nos anos 90 que surgem nas coroas das nossas cidades, mega estruturas comerciais, como o Colombo em Lisboa e o Norteshopping no Porto.
A construção crescente e gradual deste modelo de centro comercial, em todas as cidades Portuguesas, têm feito mudar profundamente a mobilidade e as atitudes e próprio modo de viver dos portugueses.
Esta maneira de viver, tem substituído as próprias exigências do consumidor face ao comércio e face à cidade. O espaço público tem gradualmente vindo a ser substituído por as ruas praças dos centros comerciais, os cafés locais pelo franchising do caffé de Roma, as ruas mal iluminadas pelos corredores assépticos e limpos dos shoppings.
Na Europa assim como em Portugal o comércio era normalmente concentrado nas áreas das baixas das cidades, e o espaço público e de sociabilidade era feito nas ruas, no encontro das pessoas, quando iam às compras.
Contudo não podemos ignorar esta nova situação, a emergência de novos centros, muitas das vezes associados aos ditos shoppings, têm de se saber fazer no futuro com a reestruturação dos centros antigos. O centro da cidade deve ter a máxima acessibilidade, direccionalidade e ter um conjunto de símbolos identitários que o referencie do resto da cidade.
A explosão da cidade fez com que se perdesse o centro de muitas cidades, a consequente falta de acessibilidade deste e a transferência de fortes instituições como as universidades ou os bancos para zonas de mais fáceis acessos, fez estes locais perderem o seu sentido e a sua significação.
Os centros históricos devem passar a ser tratados como locais de excepção, pelo seu conteúdo histórico e simbólico dentro da cidade, nunca deixando que se tornem museus, é preciso viver neles e estes têm de ser recolocados no sistema de redes da metrópole.
Importa aqui reflectir sobre as possíveis opções a tomar no futuro, para podermos interligar a centro histórico da cidade portuguesa nas redes policêntricas, que a cidade actual é alvo. Não ignorando o efeito do shopping sobre a sociedade, interessa que a cidade crie actualmente uma satisfatória hierarquia entre centros e depois que consiga fazer uma possível ligação entre todos.
A questão da sustentabilidade, é outro factor a ter em conta, não ignorando que a revitalização, o reciclar dos nossos velhos centros históricos vai ser um dos passos fundamentais para podermos voltar a ter uma cidade mais concentrada em limites físicos.
As periferias actuais, e o enorme crescimento destas, assim como a cultura do carro, vão ter de ser suspendidas ou repensadas, já que será impraticável futuramente, devido à crise dos combustíveis fosseis, fazermos uma vida onde as deslocações sejam feitas com tão grandes distâncias.
O futuro das cidades passa pelo colmatar dos vazios existentes, pelo fim da cidade vazia.
A questão da sustentabilidade, é outro factor a ter em conta, não ignorando que a revitalização, o reciclar dos nossos velhos centros históricos vai ser um dos passos fundamentais para podermos voltar a ter uma cidade mais concentrada em limites físicos.
As periferias actuais, e o enorme crescimento destas, assim como a cultura do carro, vão ter de ser suspendidas ou repensadas, já que será impraticável futuramente, devido à crise dos combustíveis fosseis, fazermos uma vida onde as deslocações sejam feitas com tão grandes distâncias.
O futuro das cidades passa pelo colmatar dos vazios existentes, pelo fim da cidade vazia.
