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quinta-feira, 19 de março de 2009

Alta rotação (2)

O Manel tem toda a razão! Peço desculpa aos leitores pelo facto da crónica Alta rotação não ter tido a segunda edição na altura devida. Mas como nunca é tarde e como me quero redimir aqui vai a segunda crónica sobre automóveis.
Até poderia escrever sobre algum modelo recente mas a minha escolha desta vez vai recair mais uma vez sobre um modelo já com alguns anos.
Muitas pessoas apenas consideram um automóvel como um clássico se já tiver uma data de anos, se for inglês, se avariar a todo o momento e se alguém com mais de 1.80m não conseguir entrar lá dentro... Sim, estou a falar de MGB's, Jaguar E's, Triumphs TRxx's, etc. Sinceramente para mim esses carros não passam de sucata ambulante que nem no seu tempo, à excepcção do Jaguar E-type (explicarei a minha raiva sobre este carro mais tarde), conseguiram algo de relevante.
O modelo do qual vos vou falar hoje esteve em produção entre 1993 e 1998. É portanto um carro no máximo com 16 anos já com ABS, ar condicionado e muitos outros items que fazem um carro confortável mas com estatuto suficiente para ser considerado pelo menos por mim como um verdadeiro clássico. Falo-vos do Porsche 911 modelo 993.

O Porsche 993 é um modelo extremamente feliz do ponto vista estético. A frente é muito bem desenhada com os tradicionais faróis do 911 a serem ligeiramente modificados mas sem serem adulterados como aconteceu com a geração seguinte (996). A traseira para mim é a parte mais bonita do carro, principalmente nas versões S mais alargadas transmitindo um certo ar de poder!
Este foi o último 911 refrigerado a ar e é considerado pelos puristas como o verdadeiro 911. Este carro 911 não é um 911 qualquer, não é um Porsche para quem simplesmente quer ter um modelo da marca alemã, para isso comprem um 996 que é mais recente, gasta menos e tem mais equipamento. Isto é um carro para quem sabe o que está a comprar...

Há diversas versões do Porsche 911 993. Temos o Carrera 2 e Carrera 4 coupé ou cabrio (272cv e mais tarde 286cv), o Targa (muito bonito), o Carrera S ou 4S (286cv), o Turbo (402cv), o GT2, o RS, o RSR e uma versão 3800 cc muito rara com 300cv. Este carro trata-se de um autêntico super carro que se pode usar todos os dias e fazer 250000km sem problemas de maior. Como já disse, a gama de modelos é vasta e há 993's para todos os gostos e carteiras.
Há ainda outro factor neste carro que me deixa louco mas que não há palavras para descrever... vejam o video (aliás ouçam!)


Preço - entre 25000€ e 300000€ (dependendo do modelo e do estado).

quarta-feira, 12 de março de 2008

Película 001

No seguimento do projecto Circuito Cinema (http://www.circuitocinema.blogspot.com/), promovido por estudantes da Academia do Porto, rodou hoje no emblemático cinema Passos Manoel no Porto, uma obra prima do film noir, Touch of Evil, de Orson Welles.
Numa sala a abarrotar de gente, tal película foi apresentada, precedida da apresentação da iniciativa, pelo coordenador, Joaquim Guilherme (aluno da FDUP), onde critica o encerramento de infra-estruturas emblemáticas que outrora, serviram de salas de cinema, bem como, a ausência de oferta de filmes anteriores à década de 90.

Touch of Evil, A Sede do Mal, uma história passional de corrupção e consciência, passada nos bares de strip-tease e móteis de uma cidade situada na fronteira entre o México e os Estados Unidos da América, como o honrado oficial da brigada de narcóticos mexicana Charlton Heston (Miguel Vargas) e o degenerado polícia americano Orson Welles (Hank Quinlan) a desentenderem-se por causa de um homicídio cuja jurisdição é disputada e indefinida e, Janet Leigh (Susan) a transformar-se num joguete aterrorizado neste braço de ferro.
Envolto numa atmosfera sinistra, esta longa metragem "mergulha" na noite movimentada, enquanto Miguel Vargas e a sua esposa americana, Susan, atravessam a fronteira mexicana para os Estados Unidos da América. Um homem não identificável põe uma bomba num descapotável, os peões circulam, a acompanhante ordinária do condutor queixa-se de que "sente um tique-taque estranho na cabeça", os recém-casados e um guarda fronteiriço conversam até que, o carro esplode.
O chefe de polícia, Quilan, desloca-se do lado americano da fronteira para orientar a investigação, enquanto Susan cai numa cilada armada pelos traficantes de droga cujo "negócio" Vargas tem tentado destruir.
Para impedir que Vargas o denuncie como criminoso, Quinlan manda sequestrar Susan e drogá-la. O segundo apresenta-se numa figura "inchada" que o abuso de poder transformou num monstro. Mas, a personagem mais tocante é a figura trágicas, tardiamente enobrecida, do dedicado "lacaio" de Quinlan, Pete Menzies.
Num filme de 1958, ainda a preto e branco, econtramos bastantes analogias com problemas que persistem nas sociedades contemporâneas em geral, na sociedade portuguesa em particular.
Questões como a corrupção entre as forças de segurança e ordem públicas, e o seu alastramento a órgãos jurisdicionais; ou ainda, o uso ou não de escutas telefónicas como meio de prova incriminador em matéria penal, são questões que Welles aborda em Touch of Evil e que, merecem uma clara reflexão por todos.