No seguimento do projecto Circuito Cinema (http://www.circuitocinema.blogspot.com/), promovido por estudantes da Academia do Porto, rodou hoje no emblemático cinema Passos Manoel no Porto, uma obra prima do film noir, Touch of Evil, de Orson Welles.Numa sala a abarrotar de gente, tal película foi apresentada, precedida da apresentação da iniciativa, pelo coordenador, Joaquim Guilherme (aluno da FDUP), onde critica o encerramento de infra-estruturas emblemáticas que outrora, serviram de salas de cinema, bem como, a ausência de oferta de filmes anteriores à década de 90.
Touch of Evil, A Sede do Mal, uma história passional de corrupção e consciência, passada nos bares de strip-tease e móteis de uma cidade situada na fronteira entre o México e os Estados Unidos da América, como o honrado oficial da brigada de narcóticos mexicana Charlton Heston (Miguel Vargas) e o degenerado polícia americano Orson Welles (Hank Quinlan) a desentenderem-se por causa de um homicídio cuja jurisdição é disputada e indefinida e, Janet Leigh (Susan) a transformar-se num joguete aterrorizado neste braço de ferro.
Envolto numa atmosfera sinistra, esta longa metragem "mergulha" na noite movimentada, enquanto Miguel Vargas e a sua esposa americana, Susan, atravessam a fronteira mexicana para os Estados Unidos da América. Um homem não identificável põe uma bomba num descapotável, os peões circulam, a acompanhante ordinária do condutor queixa-se de que "sente um tique-taque estranho na cabeça", os recém-casados e um guarda fronteiriço conversam até que, o carro esplode.
Envolto numa atmosfera sinistra, esta longa metragem "mergulha" na noite movimentada, enquanto Miguel Vargas e a sua esposa americana, Susan, atravessam a fronteira mexicana para os Estados Unidos da América. Um homem não identificável põe uma bomba num descapotável, os peões circulam, a acompanhante ordinária do condutor queixa-se de que "sente um tique-taque estranho na cabeça", os recém-casados e um guarda fronteiriço conversam até que, o carro esplode.
O chefe de polícia, Quilan, desloca-se do lado americano da fronteira para orientar a investigação, enquanto Susan cai numa cilada armada pelos traficantes de droga cujo "negócio" Vargas tem tentado destruir.
Para impedir que Vargas o denuncie como criminoso, Quinlan manda sequestrar Susan e drogá-la. O segundo apresenta-se numa figura "inchada" que o abuso de poder transformou num monstro. Mas, a personagem mais tocante é a figura trágicas, tardiamente enobrecida, do dedicado "lacaio" de Quinlan, Pete Menzies.
Num filme de 1958, ainda a preto e branco, econtramos bastantes analogias com problemas que persistem nas sociedades contemporâneas em geral, na sociedade portuguesa em particular.
Questões como a corrupção entre as forças de segurança e ordem públicas, e o seu alastramento a órgãos jurisdicionais; ou ainda, o uso ou não de escutas telefónicas como meio de prova incriminador em matéria penal, são questões que Welles aborda em Touch of Evil e que, merecem uma clara reflexão por todos.
