sexta-feira, 24 de outubro de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
PPD/PSD

Luís Filipe Menezes (LFM) anunciou ontem que se demite da liderança do partido e pediu ao Conselho Nacional para convocar eleições directas para o próximo dia 24 de Maio.
Esta demissão mostra que este PSD é tudo menos uma alternativa viável ao PS nas próximas eleições legislativas.
O maior partido da oposição parece não ter aprendido a lição... Primeiro não devem ter reparado no flagelo com que o CDS se deparou na guerra que antecedeu as directas e nas consequências das mesmas, pois fizeram exactamente o mesmo... Depois não devem ter ficado contentes com o resultado e vão voltar a fazer igual...
LFM não é de certeza o melhor líder do PSD... Não é certamente capaz de derrotar Sócrates... É certo que tem um discurso divergente todos os dias e tem culpa pela quebra nas intenções de voto no PPD... Mas também é certo que essa mesma quebra não se deve somente a LFM mas também à guerra interna que assola o maior partido da oposição...
Mais uma vez voltando ao CDS... a grande quebra nas intenções de voto no partido do Caldas deveu-se não só devido à nulidade que era Ribeiro e Castro, mas também às cenas vergonhosas dos Conselhos Nacionais, às guerrinhas nos jornais, nas rádios, etc...
Estas directas somente vão servir para legitimar Menezes. Os barões não tem o apoio das bases nem vão avançar. Aguiar Branco é tudo menos alternativa pois a opinião pública não o conhece... Passos Coelho prepara-se para 2009... Marcelo Rebelo de Sousa seria mais um desastre dado que só está habituado a perder eleições. Rui Rio teria possibilidades de derrotar LFM e Sócrates, mas será que avança ou também espera por 2009?
A própria data das eleições foi feita para não permitir qualquer candidatura decente.. LFM que não estava na corrida mas que iria fazer na mesma a volta a Portugal que já estava programada... Não sendo candidato esta volta seria impracticavel com outros candidatos no terreno...
É por estas e por outras que as pessoas não acreditam na política e na direita..
segunda-feira, 17 de março de 2008
Sobre o estado actual da direita portuguesa...
Este blog está muito calmo. Uma verdadeira e angelical paz do senhor. Só que eu não gosto de paz nem de anjos e portanto resolvi escrever sobre um tema que, espero eu, tenha o mesmo efeito que teria a entrada de um tipo com a cara do outro senhor, estampada na t-shirt, na festa do avante. Portanto “Cry Havoc and let slip the hounds of war!!” Ou antes, não “slipa” nada porque agora (graças á “lucidez” do “Eng.” Sócrates) os canitos vão ficar todos maricas. Ter uns canzarrões, para depois eles abrirem a boca e parecerem uns chihuahuas (Josés Castelo Branco dos Canis lupus familiaris)? Mais vale não ter cão nenhum. Já diz o povo: “Para pouca saúde mais vale nenhuma”
Venho hoje falar-vos (se é que alguém está disposto a ouvir-me) das directas e dos efeitos que estas tiveram nos partidos da direita portuguesa. Foram aclamadas como o maior avanço da democracia desde tempos imemoriais: acabaria com os “baronatos” dentro dos partidos e daria a possibilidade aos militantes base de escolher o seu líder. Com isto acabaram os congressos como nós os conhecíamos: os congressos em que a disputa da liderança possibilitava a um feroz debate de ideias; os congressos em que um militante base podia intervir, da mesma maneira que intervinham os candidatos á liderança, gerando um empowerment que conferia estrutura e musculo ao partido. Depois das directas, o congresso, passou a tratar-se duma mera formalidade, em que nenhuma ideia surge: uma aclamação do líder, no qual muito pouca gente se afasta da corrente do "Uni-Pensamento".
Desta maneira os partidos ficam mutilados á partida; sem o debate interno que possibilitava a definição do caminho que o partido e o líder deveriam traçar, toda a organização vira-se para o segundo á espera que ele defina toda uma doutrina, ideologia e programa politico. Ora como os líderes partidários não podem fazer consigo mesmo o debate necessário, sob a pena de se tornarem esquizofrénicos, restam-lhes muito poucos caminhos: primeiro renovam ambos a imagem e os símbolos do partido, enquanto vão clamando que a nova imagem representa um partido novo, que esse sim vai ganhar as eleições. A partir daqui há duas opções: no caso do glorioso PPD\PSD, transforma-se o partido numa espécie de Circo Cardinal, e faz-se uma “tour” da carne assado pelo país até 2009; neste caso a oposição feita ao governo limitam-se a acções de circunstância, dando a parecer que o PSD aspira a ser em tudo igual ao PS, excepto na cor. Já o CDS-PP que galopa entusiasticamente para a glória eterna (ao bom e velho estilo da Light Brigade), utiliza uma estratégia ligeiramente diferente: copia quase toda a performance dum partido estrangeiro que esteja na moda (geralmente os Tories), sem se preocuparem se esta é aplicável á realidade nacional, nunca aprofundando demasiado as questões, que esta levante. Deve-se dizer, honra seja feita ao CDS e a Paulo Portas, que a oposição feita por este ao engenheiro Sócrates seja bastante mais credível e eficaz que a dos seus compinchas um pouco mais á esquerda. O único problema é que todos os simpatizantes que CDS ganha na assembleia da república, perde-os na capa do Expresso, ou do Público.
Este é o quadro da direita portuguesa: uma direita velha, esquizofrénica e desacreditada á qual não surgem alternativas (não me venham falar do PND nem do MEP). Uma direita que não consegue ser alternativa ao governo. Uma direita inactiva que espera que o PS caia de podre, para depois calmamente o substituir. Meus caros podem esperar sentados.
Neste fim-de-semana falou-se do quão ridículo foi o comício de Sócrates no Porto; que demonstrava a fraqueza e impopularidade do actual do PS. Concordo, mas no entanto o estado da direita é tal, que este PS fraco, fragilizado, incompetente e medíocre é quanto baste para ganhar as eleições em 2009.
