Hoje Teresa de Sousa no Publico, juntou-se um coro de vozes cada vez mais crescente, que defende que esta crise financeira, marca o regresso de Keynes.
É verdade, que Keynes é um dos grandes génios da economia, estando provavelmente a par de Adam Smith. É verdade as sua teoria económica, ajudou a recuperar o mundo da grande depressão. No entanto devemos pensar um pouco antes de nos atirarmos para os braços das politicas Keynesianas. Por um lado porque o Barão Keynes foi usado (injustamente diga-se) como desculpa para cometer algumas das maiores barbaridades da história económica: em Portugal temos o perfeito exemplo disso, no aumento do volume do estado e na construção de grandes obras publicas que ocorreu na década de 80 e 90. Tudo isto foi feito utilizando a bandeira de Keynes, ignorando-se no entanto duas grandes premissas do grande economista:
1º) A intervenção do estado na economia deve funcionar de forma anticiclica, devendo-se por isso o estado retirar-se da economia em épocas de prosperidade económica. Só desta forma poderá ter margem de manobra para actuar em épocas de crise.
2º) O volume do estado não deve ultrapassar 1/3 do PIB (no caso português é á volta de 50% do PIB).
Por outro lado também temos que ter em conta contexto histórico e político no qual surge o Keinesianismo, ou seja na década de 20 e 30. Numa época em que o proteccionismo era a regra, poder-se-ia relançar a economia dum país, fomentando a procura, que por sua vez levaria ao aumento da produtividade. No entanto, não faz sentido aplicar esta doutrina na época da globalização, dado que a facilidade para ocorrência de trocas comercias, permitiria que a procura gerasse pura e simplesmente um aumento das importações, e não necessariamente um aumento da produtividade.
Pode se ainda a argumentar, que o aumento do proteccionismo, por parte dos estados, no pos-guerra levou a diminuição da interdependência dos mesmos, provocando um aumento do isolacionismo, que em muito contribui-o para II Guerra Mundial.
Concluindo, se quiserem o Keinesianismo de volta, tem que comprar o pacote todo ( isto inclui o aumento do isolacionismo dos estados) . Eu por mim (embora tenha muita consideração por John Maynard Keynes) continuo leal a Milton Friedman, porque muito simplesmente o comercio livre contribui mais para a paz e estabilidade mundial, do que ONUs, UEs e diálogos ecuménicos, todos juntos.