
Ás vezes interrogo-me : Porque cai uma sociedade? O que faz ruir, dum momento para o outro ,uma civilização que até aí parecia invencível? Uma invasão destrutiva de um qualquer povo bárbaro? Ou Um grande cataclismo? Uma enorme crise social que provoca uma revolução? Sempre que penso nisso vem-me á memória a imagem dos aristocratas franceses, pouco antes da revolução, a aplaudirem de pé, as “Bodas de Figaro”, quando a esfinge que representa a sua classe é enforcado. Tudo isto em nome das ideias iluministas da moda. Foi assim que caiu a sociedade do “Ancient regime”: com risos e aplausos, dançou alegremente a mazurca até á guilhotina. Isto é ,na minha opinião, a principal razão da queda duma sociedade: a descrença dos seus membros nela própria.
Quando vejo coisas como estas, (que são provocadas pelo medo do islão radical), parece que estou a ver a história a repetir-se. Não é a esfinge da aristocracia, que é enforcada mas antes as pedras basilares da sociedade ocidental: a liberdade de expressão e a importância do indivíduo. Paralelamente a elite ocidental aplaude estas medidas. Não em nome de qualquer ideia passada por Voltaire (este deve estar ás voltas no tumulo), mas antes pela ideia algo esotérica do Multiculturalismo.
Assim caminhamos para o abismo: cantando e dançando em nome do multiculturalismo; duma bondade e compreensão humana que o resto do mundo, islâmico (ou não), autoritário, ditatorial, agressivo e sobretudo muito perigoso não reconhece e despreza. Assim arriscamo-nos a desaparecer como civilização. Assim arriscamo-nos a cair aos pés desse mundo extremamente perigoso. Mas não por causa deste último; o culpado , se ele existe só podemos ser nós: porque muito simplesmente deixamos de acreditar no que fez do Ocidente, o que ele é hoje.
P.S.: Tambem publicado aqui.

