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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pros e Contras II



Mais uma vez falando do prós e contras (esse programa que escolhe sempre temas tão interessantes como o Cristiano Ronaldo ou os casamentos gays). Dado que o país atravessa a maior crise desde os últimos 70 anos, eu arriscaria que haverá 10 temas mais importantes, para debater, mas pronto.
Como eu dizia, a determinada altura, Isabel Moreira que consegue representar dois estereótipos ( o típico jurista cheio de dogmas e verdades absolutas, e a mulher histérica), diz como resposta (a um dos defensores do “não” que falava de vários aspectos biológicos): “A biologia não interessa nada ao direito”. O meu primeiro impulso ao ouvir tal alarvidade, foi ir a Lisboa enfiar o “A nova síntese de Sociobiologia” (de Eduard Wilson) pelas goelas abaixo, dessa senhora. Claro que este meu plano teve que ser posto de parte (pelo menos temporariamente), devido a falta de orçamento e tempo para ir á capita, ficando eu a espumar-me no sofá.
Mas afinal o que tem esta frase de especial? Simples ela é representativa (esta minha interpretação vale o que vale dado os meus parcos conhecimentos na matéria) da filosofia do direito, e da sua inadaptação á realidade, em Portugal: nos países anglo-saxónicos o direito é maleável, personalista, ou seja deve ser representativo da realidade e adaptar-se todos aspectos desta mesma. Já no caso português, não: a realidade e a sociedade pelo contrario é que se devem moldar ao direito e á legislação, sendo esta feita muitas vezes por juristas cujo o conhecimento da realidade não ultrapassa, o saber de cor os 2334 artigos do código civil. Que interessa se esta depois se torna irrealista e deslocada da realidade? Que interessa se esta depois provoca situações verdadeiramente Kafkianas? Pequenos pormenores… Afinal nada interessa ao direito… a não ser o próprio direito.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Declinio e queda...



Ás vezes interrogo-me : Porque cai uma sociedade? O que faz ruir, dum momento para o outro ,uma civilização que até aí parecia invencível? Uma invasão destrutiva de um qualquer povo bárbaro? Ou Um grande cataclismo? Uma enorme crise social que provoca uma revolução? Sempre que penso nisso vem-me á memória a imagem dos aristocratas franceses, pouco antes da revolução, a aplaudirem de pé, as “Bodas de Figaro”, quando a esfinge que representa a sua classe é enforcado. Tudo isto em nome das ideias iluministas da moda. Foi assim que caiu a sociedade do “Ancient regime”: com risos e aplausos, dançou alegremente a mazurca até á guilhotina. Isto é ,na minha opinião, a principal razão da queda duma sociedade: a descrença dos seus membros nela própria.
Quando vejo coisas como estas, (que são provocadas pelo medo do islão radical), parece que estou a ver a história a repetir-se. Não é a esfinge da aristocracia, que é enforcada mas antes as pedras basilares da sociedade ocidental: a liberdade de expressão e a importância do indivíduo. Paralelamente a elite ocidental aplaude estas medidas. Não em nome de qualquer ideia passada por Voltaire (este deve estar ás voltas no tumulo), mas antes pela ideia algo esotérica do Multiculturalismo.
Assim caminhamos para o abismo: cantando e dançando em nome do multiculturalismo; duma bondade e compreensão humana que o resto do mundo, islâmico (ou não), autoritário, ditatorial, agressivo e sobretudo muito perigoso não reconhece e despreza. Assim arriscamo-nos a desaparecer como civilização. Assim arriscamo-nos a cair aos pés desse mundo extremamente perigoso. Mas não por causa deste último; o culpado , se ele existe só podemos ser nós: porque muito simplesmente deixamos de acreditar no que fez do Ocidente, o que ele é hoje.

P.S.: Tambem publicado aqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Descubra as semelhanças...



Lembram-se de “family ties”, o sitcom americano dos anos 80? Provavelmente lembram-se devido á estrela da série, Michael J. Fox, que intrepretava um jovem génio financeiro, ávido de dinheiro (Alex P. Keaton). Também devem-se lembrar do pai (Steven Keaton), um idealista, que tinha sido hippie na sua juventude, e que era director duma empresa não lucrativa. Provavelmente também se lembram de Robert Keaton, o avô de alex: este era um “blue collar worker” reformado, que passava o tempo a criticar as opções politicas esquerdistas do seu filho.
Eventualmente, a meio da série, o avô Keaton morre. Na noite após funeral , Steven mostra ao filho um bloco de notas de 1954, que tinha encontrado juntamente com o portfolio de Robert. Neste estava escrito que a IBM, era uma empresa destinada ao sucesso , e que quem quisesse, fazer fortuna deveria comprar acções da mesma, mostrando a Alex de quem tinha herdado a sua propensão para a economia. Ao ouvir isto o jovem “yuppie” logo pergunta porque é que o avô não comprou acções , abdicando assim duma vida bastante mais confortável. O pai pondo um ar fatilista explica-lhe que o seu pai viveu na grande depressão, e que como tal habitou-se a comprar investimentos prudentes como commodties, seguros etc. Aqui delineia-se o grande gap entre a geração do Robert, e a que lhe sucede (a geração baby-boomer). A primeira nasceu numa época dourada, durante os “roaring twenties” : o mundo dançava ao som do “foxtrot” , havia uma grande prosperidade económica e toda a gente dizia que nunca mais se repetiria outra loucura, como a I Guerra Mundial. Esta geração (chame-mos-lhe “Geração Robert”), passou assim o principio da sua infância em grande conforto. Tudo isto mudou quando numa tarde de Outono de 1929, estas crianças viram os seus pais chegarem a casa, de gravata desapertada e cabelo desgrenhado, dizendo que tudo estava perdido: começava a Grande Depressão. Os anos seguintes foram de penúria e de miséria, e quando 10 anos depois, tudo parecia voltar ao normal rebenta a segunda guerra mundial. Todos estes jovens imberbes, foram atirados, para campos de batalha longínquo, para lutarem contra dois dos mais ferozes inimigos que o seu país tinha defrontado: o III Reich e o Império Japonês . Todos estes acontecimentos marcaram esta geração , tornando-a muito prudente, conservadora e desconfiada. Esta visão aplicaram-na á sua forma de trabalhar, ao seus costumes (tornando-se bastante conservadores, mesmo em comparação com a dos seus pais) e a todo o seu modo de viver.
Mais tarde nasceu a “geração Steven” . Criados no pacifico e próspero ambiente do pós-guerra, os Steven , cedo se revoltaram contra as convenções sociais que os seus pais lhe tinham imposto, dando assim inicio durante na década de 60, á revolução sexual. Mais tarde nasce a geração Alex: para esta a grande depressão não é mais que uma memória. Algo que leram nos livros de história e que parece impossível voltar acontecer. É esta geração que apoia Reagan, na sua luta pelo fim da maior parte da regulação que já vinha do tempo dos seus avós, tanto a boa como a má. É esta geração que defende a máxima autonomia económica do individuo relativamente ao estado. Em suma se uma geração fez uma revolução social, a outra fez uma revolução económica.
Até agora pensei que a minha geração se assemelharia á geração Alex: tanto no aspecto sócio-cultural como no aspecto económico. Seria a geração liberal, por excelencia. No entanto…
Nascemos nos anos 80, e crescemos nos anos 90. A URSS tinha acabado e com ela a história (como dizia Fukuyama) , e o mundo parecia caminhar para uma nova era dourada, tendo como líder os USA. Contudo isso acabou com o virar do milénio. Apareceu a Al-Quaeda, rebentou a guerra contra o terrorismo; a China e a Russia começaram a flectir os músculos e a demonstrar ter vontades e ambições próprias. Em suma o mundo já não parecia tão pacifico e tão dourado como tinha sido. Mais tarde começou a crise financeira, que parece estar ainda no principio. Em suma as nuvens acumulam-se nos horizontes da minha geração, e ao que dizem, a borrasca ainda nem começou.
A reflexão que eu deixo é a seguinte: que efeitos sócio-culturais terão na nossa geração (e na que se segue), os recentes acontecimentos mundias? Tornar-nos-ão mais próximos de Steve? De Alex? Ou de Robert?