Alberto João Jardim, com a sua proverbial capacidade de análise, resumiu assim o episódio dos "corninhos" no Parlamento:
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sexta-feira, 3 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
A man for all seasons
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Não é novidade para ninguém que sou "Portista" por convicção e com paixão. Às vezes até posso ter algumas dúvidas relativamente às opções ou caminhos, posso pôr em causa algumas escolhas ou questionar o método, mas a verdade é que impossível não reconhecer a Paulo Portas a inteligência, a argúcia, a capacidade (ou instinto) política e a entrega à "causa" que é fazer crescer (e renovar) o CDS. Paulo Portas reinventa-se, permanecendo fiel à matriz essencial, e por isso é o líder que acompanha os tempos e que será capaz de voltar a surpreender, nas legislativas, quem vaticina a morte do CDS.
Feita a declaração de interesses, sendo fã assumida e já “vacinada” com as performances do líder (porque já estamos habituados à excelência) não é possível deixar de fazer referência à entrevista desta semana na Única. Não é o lado humano do político, não é, tão pouco, por ser num registo “quase intimista” mas não invasivo a que estamos pouco habituados na política à portuguesa. O que realmente nos interpela é a forma genuína e convicta com que Portas vai respondendo às perguntas, mais pessoais ou mais políticas, sem se pretender esconder e sem usar rodeios. Apenas se esquiva a responder quando lhe perguntam se é um homem bonito! De tudo o resto, fala com a naturalidade das pessoas normais, que sabem do que gostam, o que querem e vivem bem com as suas escolhas. Não há nesta entrevista qualquer traço de arrogância intelectual, de intolerância ou qualquer apelo ao sentimentalismo bacoco das entrevistas género “a vida privada de…”. E depois há a questão da honestidade, que faz tanta falta na política. Portas não vai atrás do politicamente correcto e, por isso mesmo, não deixa de dar conta da sua ambição – voltar ao governo e, até, liderá-lo - e de mostrar o motivo pelo qual a tem: não só é capaz, como já deu provas. Mais linear que isto seria impossível. Sem retóricas ou palavras caras, que animam uma certa esquerda caviar. Com Paulo Portas tudo adquire uma simplicidade absoluta (própria da verdade), como deve ser, em política.
Mas mais do que elogiar a entrevista, convém é que a leiam. Vale a pena!
Também publicado aqui.
Caderno
CDS,
Paulo Portas,
Política
terça-feira, 12 de maio de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
A excitação juvenil
O candidato Vital Moreira, no seu blog, acusa Paulo Rangel, também ele candidato, de "excitação juvenil" (sic).*
Eu não sei bem por que padrões etários ou semânticos se rege o ilustre Professor de Direito, mas acho importante fazer-se notar que, para os devidos efeitos, o Dr. Paulo Rangel dificilmente pode ser considerado um "jovem", apesar de ter pouco mais de 40 anos.
Bem sei que a Constituição (da qual o Senhor Professor é parcialmente pai) não define o conceito de jovem (nem sei bem porquê, já que define tanta coisa, igualmente irrelevante) e talvez por isso o Professor Vital tenha dificuldade em lidar com um conceito sem densidade constitucional... mas vamos tentar dar-lhe uma ajuda.
Não me parece que o Dr. Paulo Rangel possa ir aos correios e tirar o cartão jovem (infelizemente, eu também não), que se possa filiar na JSD ou que se possa candidatar ao arrendamento jovem. Não me parece, também, que o Dr. Paulo Rangel possa já aproveitar os programas Inov Jovem ou Inov Contacto. Não pode sequer ser considerado um jovem empresário. Portanto, em que medida é o Dr. Paulo Rangel jovem? Só por comparação com a avançada idade do Senhor Professor que com os seus 65 anos já pode aproveitar inúmeros descontos para "seniores" em vários serviços.
Assim sendo, se o candidato Vital Moreira acusa o Dr. Paulo Rangel de "excitação juvenil", sem qualquer correspondência deste ao "grupo alvo", acho que nada impediria o candidato do PSD de classificar tais declarações como "senilidade própria da idade"... fica a sugestão!
Também publicado aqui.
_______________________________
* É sabido que os assuntos da "idade" e da "juventude" me afectam muitíssimo. Por um lado, o meu lado "pp" (pragmático e político) acha inconcebível que se continue a chamar jovens (num sentido menorizador, como se a juventude fosse defeito) a pessoas com 40 anos e mais do que provas dadas. Por outro, o meu lado "ff" (fútil e feminino) fica deliciado, porque se o Professor Vital Moreia considera o Dr. Paulo Rangel um "jovem", isso significa que eu ainda tenho longos anos pela frente em que não tenho que me preocupar com a idade e com o envelhecimento... pelo menos mais 14 anos de "juventude" (e correlata excitação) tenho garantidos!
Eu não sei bem por que padrões etários ou semânticos se rege o ilustre Professor de Direito, mas acho importante fazer-se notar que, para os devidos efeitos, o Dr. Paulo Rangel dificilmente pode ser considerado um "jovem", apesar de ter pouco mais de 40 anos.
Bem sei que a Constituição (da qual o Senhor Professor é parcialmente pai) não define o conceito de jovem (nem sei bem porquê, já que define tanta coisa, igualmente irrelevante) e talvez por isso o Professor Vital tenha dificuldade em lidar com um conceito sem densidade constitucional... mas vamos tentar dar-lhe uma ajuda.
Não me parece que o Dr. Paulo Rangel possa ir aos correios e tirar o cartão jovem (infelizemente, eu também não), que se possa filiar na JSD ou que se possa candidatar ao arrendamento jovem. Não me parece, também, que o Dr. Paulo Rangel possa já aproveitar os programas Inov Jovem ou Inov Contacto. Não pode sequer ser considerado um jovem empresário. Portanto, em que medida é o Dr. Paulo Rangel jovem? Só por comparação com a avançada idade do Senhor Professor que com os seus 65 anos já pode aproveitar inúmeros descontos para "seniores" em vários serviços.
Assim sendo, se o candidato Vital Moreira acusa o Dr. Paulo Rangel de "excitação juvenil", sem qualquer correspondência deste ao "grupo alvo", acho que nada impediria o candidato do PSD de classificar tais declarações como "senilidade própria da idade"... fica a sugestão!
Também publicado aqui.
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* É sabido que os assuntos da "idade" e da "juventude" me afectam muitíssimo. Por um lado, o meu lado "pp" (pragmático e político) acha inconcebível que se continue a chamar jovens (num sentido menorizador, como se a juventude fosse defeito) a pessoas com 40 anos e mais do que provas dadas. Por outro, o meu lado "ff" (fútil e feminino) fica deliciado, porque se o Professor Vital Moreia considera o Dr. Paulo Rangel um "jovem", isso significa que eu ainda tenho longos anos pela frente em que não tenho que me preocupar com a idade e com o envelhecimento... pelo menos mais 14 anos de "juventude" (e correlata excitação) tenho garantidos!
quarta-feira, 1 de abril de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Tudo bons rapazes

Cada vez que é publicado um relatório internacional e independente eu, como portuguesa, sinto-me enganada. Desta vez é o relatório sobre segurança da ONU (organização à qual ainda dou alguma credibilidade) que diz que Portugal é o país da Europa Ocidental com a maior taxa de homicídios.
Como pode ser???? Durante os últimos anos têm-nos atirado com "areia" para os olhos, sob a forma de Relatórios de Segurança Interna, que atestam o paraíso que é Portugal, livre de criminalidade violenta e organizada. Bem que podemos ler, quase todos os dias, notícias de homicídios, assaltos, violações e outro tipo de crimes violentos, mas os números (as estatísticas oficiais) acalmam a plebe a certificam que não há perigo de maior neste belo jardim à beira mar plantado.
Porém agora que chegam os dados reais (embora o director nacional adjunto da Polícia Judiciária olhe com reserva para o relatório das Nações Unidas) percebemos que, afinal, o paraíso em que supostamente viviamos é, de facto, um mundo bem mais violento do que imaginávamos. Confirma-se porém uma verdade absoluta: estamos, de facto, a anos luz da vizinha Espanha. Não por lá ser pior… mas por ser bastante melhor (apesar do terrorismo)!
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Descubra as semelhanças...
Lembram-se de “family ties”, o sitcom americano dos anos 80? Provavelmente lembram-se devido á estrela da série, Michael J. Fox, que intrepretava um jovem génio financeiro, ávido de dinheiro (Alex P. Keaton). Também devem-se lembrar do pai (Steven Keaton), um idealista, que tinha sido hippie na sua juventude, e que era director duma empresa não lucrativa. Provavelmente também se lembram de Robert Keaton, o avô de alex: este era um “blue collar worker” reformado, que passava o tempo a criticar as opções politicas esquerdistas do seu filho.
Eventualmente, a meio da série, o avô Keaton morre. Na noite após funeral , Steven mostra ao filho um bloco de notas de 1954, que tinha encontrado juntamente com o portfolio de Robert. Neste estava escrito que a IBM, era uma empresa destinada ao sucesso , e que quem quisesse, fazer fortuna deveria comprar acções da mesma, mostrando a Alex de quem tinha herdado a sua propensão para a economia. Ao ouvir isto o jovem “yuppie” logo pergunta porque é que o avô não comprou acções , abdicando assim duma vida bastante mais confortável. O pai pondo um ar fatilista explica-lhe que o seu pai viveu na grande depressão, e que como tal habitou-se a comprar investimentos prudentes como commodties, seguros etc. Aqui delineia-se o grande gap entre a geração do Robert, e a que lhe sucede (a geração baby-boomer). A primeira nasceu numa época dourada, durante os “roaring twenties” : o mundo dançava ao som do “foxtrot” , havia uma grande prosperidade económica e toda a gente dizia que nunca mais se repetiria outra loucura, como a I Guerra Mundial. Esta geração (chame-mos-lhe “Geração Robert”), passou assim o principio da sua infância em grande conforto. Tudo isto mudou quando numa tarde de Outono de 1929, estas crianças viram os seus pais chegarem a casa, de gravata desapertada e cabelo desgrenhado, dizendo que tudo estava perdido: começava a Grande Depressão. Os anos seguintes foram de penúria e de miséria, e quando 10 anos depois, tudo parecia voltar ao normal rebenta a segunda guerra mundial. Todos estes jovens imberbes, foram atirados, para campos de batalha longínquo, para lutarem contra dois dos mais ferozes inimigos que o seu país tinha defrontado: o III Reich e o Império Japonês . Todos estes acontecimentos marcaram esta geração , tornando-a muito prudente, conservadora e desconfiada. Esta visão aplicaram-na á sua forma de trabalhar, ao seus costumes (tornando-se bastante conservadores, mesmo em comparação com a dos seus pais) e a todo o seu modo de viver.
Mais tarde nasceu a “geração Steven” . Criados no pacifico e próspero ambiente do pós-guerra, os Steven , cedo se revoltaram contra as convenções sociais que os seus pais lhe tinham imposto, dando assim inicio durante na década de 60, á revolução sexual. Mais tarde nasce a geração Alex: para esta a grande depressão não é mais que uma memória. Algo que leram nos livros de história e que parece impossível voltar acontecer. É esta geração que apoia Reagan, na sua luta pelo fim da maior parte da regulação que já vinha do tempo dos seus avós, tanto a boa como a má. É esta geração que defende a máxima autonomia económica do individuo relativamente ao estado. Em suma se uma geração fez uma revolução social, a outra fez uma revolução económica.
Até agora pensei que a minha geração se assemelharia á geração Alex: tanto no aspecto sócio-cultural como no aspecto económico. Seria a geração liberal, por excelencia. No entanto…
Nascemos nos anos 80, e crescemos nos anos 90. A URSS tinha acabado e com ela a história (como dizia Fukuyama) , e o mundo parecia caminhar para uma nova era dourada, tendo como líder os USA. Contudo isso acabou com o virar do milénio. Apareceu a Al-Quaeda, rebentou a guerra contra o terrorismo; a China e a Russia começaram a flectir os músculos e a demonstrar ter vontades e ambições próprias. Em suma o mundo já não parecia tão pacifico e tão dourado como tinha sido. Mais tarde começou a crise financeira, que parece estar ainda no principio. Em suma as nuvens acumulam-se nos horizontes da minha geração, e ao que dizem, a borrasca ainda nem começou.
A reflexão que eu deixo é a seguinte: que efeitos sócio-culturais terão na nossa geração (e na que se segue), os recentes acontecimentos mundias? Tornar-nos-ão mais próximos de Steve? De Alex? Ou de Robert?
Caderno
crise,
Política,
Sociologia
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Passo a passo *

"Mais liberdade no espaço público, mais liberdade na actividade económica, mais liberdade na vida privada, mais liberdade no exercício pleno da cidadania".
A frase é de Pedro Passos Coelho na apresentação da "Carta de Valores" da sua candidatura e podia ser, perfeitamente, subscrita por mim. Fosse eu militante do PSD e não tinha dúvidas em apoiar PPC em detrimento dos outros dois candidatos que, cada um à sua maneira, representam o passado e ideias gastas e estafadas. Passos Coelho, parece-me, poder vir a ser a alternativa mais séria e credível ao domínio socrático, e uma alternativa que põe a tónica na liberdade, valor que não me podia ser mais caro. PPC apresenta-se como um "liberal solidário" e como alguém que quer assumir uma mudança e um corte com o passado do PSD. Só por isso já me parece bem!
Eventualmente o que mais me aproxima de PPC é, mesmo, uma questão geracional. Cada vez mais acho que é preciso renovar a política e fazê-lo por via de uma mudança geracional de quem nos "governa". Porque, na análise que faço do que rodeia, a mudança geracional está intimamente ligada a uma mudança de paradigma e a uma nova visão do mundo. Quem tem 26 anos, hoje, não consegue perceber uma suposta futura candidata a Primeira Ministra que tem quase 70 anos (!). Muito menos entende que "mudança" podem trazer um ex Primeiro Ministro e uma ex Ministra que já tiveram as suas oportunidades (várias) e pouco ou nada mudaram... (e neste capítulo, apesar de tudo, ainda me merece mais simpatia Pedro Santana Lopes que Manuela Ferreira Leite, já que aquele sempre foi um agitador e quando teve a oportunidade ainda tentou agitar este pântano de águas paradas, mas não teve as condições necessárias para o fazer!).
Assim sendo, e porque é cada vez mais evidente que Portugal precisa de um "valente" abanão e que o sistema de partidos, tal como o conhecemos, tem urgente necessidade de ser redefinido e recentrado (não ler aqui qualquer simpatia por ideias de blocos centrais e afins), parece-me que PPC pode ter um papel a desempenhar neste jogo de tabuleiros, abrindo caminho a um reposicionamento do PSD que obrigará, também, a uma clarificação do CDS quanto ao espaço ideológico em que se quer mexer.
Esta redefinição, que considero fundamental, está, porém refém dos velhos do Restelo e de todos aqueles que com a tradicional atitude lusitana criticam o que "está" mas temem a mudança. É preciso, pois, que este país perceba a flagrante necessidade que tem de quebrar com as absurdas amarras que ainda o ligam a um passado (tão herdeiro de Salazar como da Abrilada) que convive mal com a liberdade, com a autonomia, com a criação de riqueza, com o investimento, com a mobilidade, com a flexibilidade, com a escolha, com a iniciativa privada, com a propriedade, com o progresso e com a modernidade! Sem criarmos um Portugal amigo dos Portugueses, respeitador da Liberdade, dinâmico, flexível e moderno, estamos condenados a continuar como estamos, no eterno «vai-se andando» que nos conduz a lado nenhum!
Como também diz PPC «há momentos em que é preciso assumir a coragem de mudar», e eu concordo. Esperemos que esta não seja apenas mais uma frase panfletária de campanha e que signifique, realmente, que alguma coisa pode mudar, sem que tudo continue na mesma!
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* Texto também publicado aqui.
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