terça-feira, 12 de maio de 2009

Medina Carreira



Acabei de vir do clube dos pensadores, aonde assisti á conferencia de Medina Carreira. Este é um pouco como Cassandra: numa sociedade embebedada pelo dinheiro fácil do sobre-endividamento, ele parece ser o único que nos avisa do abismo para onde corremos.

Num país anglo-saxónico, germânico, a sua linguagem "no nonsense", e baseada em factos puros e duros, já teria feito cair governos, regime e faria a sociedade dar uma volta de 180º. Em Portugal, a sua mensagem será sempre ignorada, porque: em primeiro lugar a forma é preferida ao conteúdo. Em segundo porque, a cultura portuguesa, como qualquer cultura católica é assente em dogmas. E não se pode por em causa, como é obvio, o dogma do estado social, sorvedor-mor do dinheirinho da nação e não só.

Entretanto a malta vai cantando e rindo, e só acordará da bebedeira quando tiver o cavalo de Tróia dentro das muralhas da cidade. Aí será tarde de mais (pelo menos para este regime)!! Até lá os nossos grandes lideres limitam-se a fazer o que fizeram até agora: despejar dinheiro nos problemas, dinheiro obtido claro, á custa de endividamento.

4 comentários:

Aranha disse...

Esse argumento dos dogmas é que é puro "nonsense".

Tendo em conta que todas as religiões (e não só a Cristã Católica..) assentam em dogmas, e que a maior parte dos países (se não todos...) têm uma qualquer formação religiosa, poderiamos concluir, pelas tuas palavras, que todos os países estão condenados, uma vez que nunca se pode pôr em causa dogmas de estado, seja ele social ou liberal, porque a cultura desse país assenta num qualquer dogma religioso.

Deste modo, trata-se, então de um argumento sempre válido para todas as situações e países, o que é um verdadeiro disparate.

Não vamos ser cegos nos ataques religiosos...

Rodrigo Lobo d'Ávila disse...

Aranha,
eu falei em cultura católica, não em religião católica. Duas coisas completamente diferentes...As culturas protestantes nunca assentaram em dogmas. Sempre questionaram as suas realidades, fossem elas politicas, culturais, ou cientificas.
Nas culturas católicas não: a verdade que nos rodeia, é sempre inquestionável e ai de quem a ponha em causa: seja ela religiosa, cientifica, ou politica. Se á 400 anos atrás galileu era perseguido por questionar a natureza geocêntrica do sistema solar, hoje em dia,alguém que questione a verdade aceite da boa natureza do estado ultra-social, ou das virtudes do regime pós-abril, é logo tratado como um pária. Ou seja, os dogmas mudam, mas há sempre dogmas. Portanto não se trata de um ataque religioso, trata-se sim de uma critica uma cultura e sociedade.

Aranha disse...

A verdade aceite da boa natureza do estado social é inquestionável aqui em Portugal, tanto quanto na Alemanha ou até na Inglaterra. Tendo em conta que a cultura desses países é protestante, não sei onde é que o teu argumento se aplica....

Rodrigo Lobo d'Ávila disse...

Nops. Não compares a natureza do estado social em Portugal, com Inglaterra e a Alemanha. Nem o estado domina tanto a sociedade, nem ameaça tanto entrar em colapso. Se ameaça-se a sociedade reconheceria que o estado social tal como ele é, teria que deixar de existir.