domingo, 12 de outubro de 2008

Chavez está com medo (2)




Chavez é um tipo do caraças: sempre que pensamos que ele atingiu o máximo do ridiculo , ele vem á TV e surpreende-nos:Desta vez resolveu derigir o seu ódio para os MacDonalds.
Esta atitude faz-me pensar, (como já tenho escrito), que Chavez sente-se cada vez menos seguro. Apesar do armamento russo (que Putin oferece as carradas só para chatear os EUA) , apesar do berreiro e dos insultos no "olá presidente", apesar de todo o peito feito percebe-se que o Caudilho, sente o chão a fugir-lhe rapidamente de baixo dos pés. Na Bolívia, o seu irmão Morales aguenta-se cada vez com mais dificuldade, ameaçando arrastar a Bolívia para uma perigosa guerra civil; por outro lado a fantástica revolução bolivariana não parece alastrar aos outros países da América do Sul, como tinha sido prometido: na sua arqui-rival, a Colômbia , a democracia liberal e o estado de direito parece estar implementada cada vez com mais força; no México passa-se a mesma coisa, e o Brasil ,a grande potencia da América do sul, parece dar cada vez menos importância ao Caudilho. Pior que isso o preço do petróleo desce a pique, fazendo reduzir a quantidade enorme de dinheiro que Chavez tinha para gastar na sua politica de "Pan et circenses", que manteve até agora uma boa parte do povo venuzuelano do lado dele. Concluindo: Chavez está com medo. Chavez está com muito medo... Por isso desafia , insulta e ataca os EUA, e o que é visto como os seus interesses e simbos (MacDonalds). . Assim tenta impedir a dissidência interna, através da união nacional contra o inimigo comum. Veremos durante quanto tempo esta estratégia adia o inevitável...

sábado, 11 de outubro de 2008

Vão passear!

A minha militância televisiva já teve melhores dias. Agora, já não há grandes programas que mereçam a minha atenção compulsiva dia após dia ou semana após semana. Mas há um ou outro que merece ser a excepção que confirma a regra. Por isso, com uma religiosidade quase absoluta, seja na TV, seja em alternativa na internet, tento acompanhar a Liga dos Últimos, um programa bem divertido, que já nos permitiu conhecer localidades tão exóticas como Sepim, Escalos de Baixo, ou Travassós, e personagens imponentes e de raízes tão vastas que vão desde a aristocracia – como o Visconde da Apúlia – ao mundo militar – caso do enorme Capitão Moura.

Acontece que nem toda a gente gosta. É normal. O que não é tão normal é a onda de celeuma que recentemente se levantou em reacção ao programa. Diz que existe para gozar com as pessoas, para as tratar com pouca (ou nenhuma) dignidade, e para utilizá-las para ganhar audiência de forma fácil. Tudo se agrava, dizem, por se tratar da estação pública de televisão, cujos programas devem ter um carácter cultural e educativo elevado, certamente ao nível de um Preço Certo.

A todos os que partilham dessa opinião digo apenas… vão passear! Vão passear por esse Portugal fora e parem, a cada Domingo, num qualquer campo, de um qualquer último, de um qualquer campeonato distrital. Que vejam o que se passa, que falem com as pessoas, que sintam o ambiente. E depois concluam se alguma das coisas que têm visto na televisão é forçada ou feita, ou até mesmo se é possível seleccionar as situações de riso – é que, no fundo, é difícil haver alguma que não seja.

É muito fácil criticar quando se tem o cuzinho sentado num trono urbano perdido em Lisboa ou até no Porto, sem conhecer a realidade destas coisas. Sem saber que aquelas pessoas não sentem a sua dignidade atacada, mas antes o ego inflado por aparecerem na televisão para gastarem os seus quinze minutos de fama. Sem saber que há clubes que aumentaram as suas receitas publicitárias à custa desta sujeira de programa – a não ser que tenham cometido a heresia de o ver para ficarem a saber.

Mais do que cromos provincianos, fazem-me confusão estes presunçosos da urbe. Isso é que é preciso “ber”…


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Também publicado aqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Descubra as semelhanças...



Lembram-se de “family ties”, o sitcom americano dos anos 80? Provavelmente lembram-se devido á estrela da série, Michael J. Fox, que intrepretava um jovem génio financeiro, ávido de dinheiro (Alex P. Keaton). Também devem-se lembrar do pai (Steven Keaton), um idealista, que tinha sido hippie na sua juventude, e que era director duma empresa não lucrativa. Provavelmente também se lembram de Robert Keaton, o avô de alex: este era um “blue collar worker” reformado, que passava o tempo a criticar as opções politicas esquerdistas do seu filho.
Eventualmente, a meio da série, o avô Keaton morre. Na noite após funeral , Steven mostra ao filho um bloco de notas de 1954, que tinha encontrado juntamente com o portfolio de Robert. Neste estava escrito que a IBM, era uma empresa destinada ao sucesso , e que quem quisesse, fazer fortuna deveria comprar acções da mesma, mostrando a Alex de quem tinha herdado a sua propensão para a economia. Ao ouvir isto o jovem “yuppie” logo pergunta porque é que o avô não comprou acções , abdicando assim duma vida bastante mais confortável. O pai pondo um ar fatilista explica-lhe que o seu pai viveu na grande depressão, e que como tal habitou-se a comprar investimentos prudentes como commodties, seguros etc. Aqui delineia-se o grande gap entre a geração do Robert, e a que lhe sucede (a geração baby-boomer). A primeira nasceu numa época dourada, durante os “roaring twenties” : o mundo dançava ao som do “foxtrot” , havia uma grande prosperidade económica e toda a gente dizia que nunca mais se repetiria outra loucura, como a I Guerra Mundial. Esta geração (chame-mos-lhe “Geração Robert”), passou assim o principio da sua infância em grande conforto. Tudo isto mudou quando numa tarde de Outono de 1929, estas crianças viram os seus pais chegarem a casa, de gravata desapertada e cabelo desgrenhado, dizendo que tudo estava perdido: começava a Grande Depressão. Os anos seguintes foram de penúria e de miséria, e quando 10 anos depois, tudo parecia voltar ao normal rebenta a segunda guerra mundial. Todos estes jovens imberbes, foram atirados, para campos de batalha longínquo, para lutarem contra dois dos mais ferozes inimigos que o seu país tinha defrontado: o III Reich e o Império Japonês . Todos estes acontecimentos marcaram esta geração , tornando-a muito prudente, conservadora e desconfiada. Esta visão aplicaram-na á sua forma de trabalhar, ao seus costumes (tornando-se bastante conservadores, mesmo em comparação com a dos seus pais) e a todo o seu modo de viver.
Mais tarde nasceu a “geração Steven” . Criados no pacifico e próspero ambiente do pós-guerra, os Steven , cedo se revoltaram contra as convenções sociais que os seus pais lhe tinham imposto, dando assim inicio durante na década de 60, á revolução sexual. Mais tarde nasce a geração Alex: para esta a grande depressão não é mais que uma memória. Algo que leram nos livros de história e que parece impossível voltar acontecer. É esta geração que apoia Reagan, na sua luta pelo fim da maior parte da regulação que já vinha do tempo dos seus avós, tanto a boa como a má. É esta geração que defende a máxima autonomia económica do individuo relativamente ao estado. Em suma se uma geração fez uma revolução social, a outra fez uma revolução económica.
Até agora pensei que a minha geração se assemelharia á geração Alex: tanto no aspecto sócio-cultural como no aspecto económico. Seria a geração liberal, por excelencia. No entanto…
Nascemos nos anos 80, e crescemos nos anos 90. A URSS tinha acabado e com ela a história (como dizia Fukuyama) , e o mundo parecia caminhar para uma nova era dourada, tendo como líder os USA. Contudo isso acabou com o virar do milénio. Apareceu a Al-Quaeda, rebentou a guerra contra o terrorismo; a China e a Russia começaram a flectir os músculos e a demonstrar ter vontades e ambições próprias. Em suma o mundo já não parecia tão pacifico e tão dourado como tinha sido. Mais tarde começou a crise financeira, que parece estar ainda no principio. Em suma as nuvens acumulam-se nos horizontes da minha geração, e ao que dizem, a borrasca ainda nem começou.
A reflexão que eu deixo é a seguinte: que efeitos sócio-culturais terão na nossa geração (e na que se segue), os recentes acontecimentos mundias? Tornar-nos-ão mais próximos de Steve? De Alex? Ou de Robert?

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sim, mas, não...

O Grupo Parlamentar do PS está indeciso: "os deputados expõem, em três pontos que o grupo defende intransigentemente a igualdade dos direitos expressos na constituição e que não põe em causa o conteúdo programático dos diplomas que irão a votos amanhã, posicionando-se a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo".

Mas,

"o grupo parlamentar socialista justifica o seu voto contra os dois projectos com o facto destes virem na altura errada".

Podia ser cómico, não fosse mesmo verdade.

Inevitabilidades, prioridades e a nova Direita

Quando pensava na minha primeira intervenção nesta ilustre casa blogosférica tentei lembrar-me de um tema, para trazer à discussão, que fosse suficientemente polémico e actual. Nada melhor, portanto, do que deixar a crise económica de lado, e falar de um dos temas do momento no nosso país: o casamento entre pessoas do mesmo sexo, cuja discussão vai amanhã à Assembleia da República.

Para começo de conversa devo dizer que não sou a favor desse tipo de casamentos. Para que fique claro, também não sou a favor do casamento entre pessoas de sexo diferente. Acontece que não sou grande fã do casamento enquanto instituição tutelada pelo Estado, apesar de defender a sua manutenção, embora em moldes bem diferentes dos actuais. Mas sou a favor, isso sim, de que, existindo um contrato de casamento civil, obedeça ele a que regras obedecer, todos os casais devem ter a liberdade de o celebrarem, independentemente do género de quem os compõe. A própria Constituição assim o sugere, através da inclusão (acordada por todos os partidos) da orientação sexual como factor não-discriminatório, no seu artigo 13º...

Mas, bem para além disso, tenho a convicção de que o casamento homossexual, tal como o aborto, é daquelas coisas que, mais tarde ou mais cedo, chegam para ficar e com a qual a generalidade dos partidos tenderá a concordar um dia. Se é assim, concordando ou não com elas, julgo que as inevitabilidades, quando ameaçam instituir-se, não merecem grande esforço na colocação de obstáculos.

Nos últimos dias, enquanto à esquerda o tema vai sendo utilizado como arma de arremesso político e como factor de gestão do voto, à direita a premissa tem sido a de que tema é de somenos importância e que não vale sequer a pena discuti-lo. Ora, se a primeira parte merece o meu acordo (há, de facto, outras coisas prioritárias para se falar), a segunda parte merece-me dúvidas. Tantas quantas a direita me permite ter ao adiar a sua discussão definitiva permitindo ao tema regressar ciclicamente para roubar tempo de antena ao que realmente interessa. Esse mito de que o que não interessa merece um voto contra que, no fundo, lhe permite voltar à discussão de ano a ano, em vez de uma resolução definitiva do assunto para não mais se ouvir falar nele, nunca me pareceu muito bom.

Enquanto a velha direita assume esse pressuposto, nada como um blogue da "nova Direita" para o tentar denunciar…

Quem vem a ser este indivíduo?

Convocado a alistar-me neste exército de bravos pelo Rodrigo, continuarei a minha luta de ideias também neste novo campo de batalha. A minha arma será, como sempre, a minha opinião. Uma opinião republicana, palmaníaca, liberal e sportinguista…

Património - uma visão

Pousada de Santa Maria do Bouro - intervenção do Arq. Eduardo Souto Moura


O património de uma nação é muitas menosprezadas, actualmente as populações nem sequer sabem correctamente o significado da palavra, quando falamos de património, na grande maioria dos casos a resposta imediata remete-se para o património edificado, verificando-se claramente a falta de sensibilização pelo património natural, pelo património arqueológico assim como o património arquitectónico, bem como o desrespeito e vandalização do mesmo. Este legado é nos deixado pelas gerações precedentes, e é importante manter e preservar pois constitui a memória, os símbolos, as marcas do nosso Pais no Mundo.

A salvaguarda desse património, desse legado, e a sua posterior valorização e usufruto é importantíssima para a base sólida de um Pais.

Portugal encontra-se numa fase de aculturação das suas populações pelo fenómeno da globalização. A globalização é um fenómeno a que nenhuns pais do 1º mundo podem ultrapassar. Os mass – média, a Internet, as deslocações aéreas fáceis e a preços reduzidos entre países passam cada vez mais a ser veículo de transporte destes novos modos de vida e consequentemente a aculturação das suas populações.

Um plano sólido de educação torna-se assim importante. Esse plano deverá ser baseado em valores nacionais, de defesa dos símbolos de uma nação assim como de preservação do nosso património edificado, arqueológico, natural, arquitectónico, bem como as tradições e lendas, pois serão estas as nossas marcas identitárias no mundo. O património é por isso um dos veículos detentores de maior carga simbólica de um Pais.

Portugal é detentor de vestígios civilizacionais importantíssimos, testemunhos da passagem de impérios como o Romano pelo nosso território, ou até de vestígios de civilizações milenares da idade da pedra que aqui fizerem os seus assentamentos. São disso exemplo o parque arqueológico do Vale do Côa ou as nossas actuais cidades, muitas delas implantadas sobre cidades ou vilas romanas, das quais se pode destacar Braga ou Chaves.
Estes sítios arqueológicos devem ser valorizados e divulgados às populações, assim como a criação de importantes sinergias entre estes e os concelhos onde se inserem para a sua posterior valorização no mapa estratégico e económico do Pais, tendo como base o turismo cultural.

A escola deve estar presente no desenvolvimento destes sítios, ao mesmo tempo que pode participar na sensibilização das gerações vindouras para o património.

Mértola é exemplo disso. Em Mértola encontramos uma atracção turística face à sua transformação em vila museu, e consequentemente o seu desenvolvimento face ao património que possuía. A localização desta pequena vila alentejana no mapa internacional e nacional. Isto deve-se ao facto da inteligente coordenação entre populações e autarquia e valorização do legado arqueológico da vila. As escolas profissionais de Mértola ajudam à preservação e conservação do património ai encontrado. A formação dos jovens em técnicos arqueológicos ou de restauro, permitiu que os próprios desenvolvam um interesse cada vez maior na preservação do património da vila, participando activamente neste processo, como base do ensinamento técnico da escola. A Escola Bento Jesus Caraça em Mértola é um exemplo perfeito desta parceria património / educação. O caso de Mértola é paradigmático mas serve de exemplo para outras vilas ou localidades que deveriam adoptar Mértola como exemplo.

O Caso de Guimarães é diferente, em Guimarães houve um sábio entendimento entre autarquia e população, obviamente com uma insistência que perdura já há alguns anos.
O processo de Guimarães demorou bastantes anos para poder funcionar em pleno. A criação de um gabinete técnico local em Guimarães, GTL, como em outras cidades, com o intuito de revitalização do centro histórico não era novidade, a novidade consistia, que este gabinete estava não só munido de técnicos de qualidade comprovada em processos de revitalização e restauro como é o caso do arquitecto Fernando Távora, como este gabinete devido ao sucesso atingido manteve-se e não foi extinto passado dois anos como normalmente acontece com um gabinete deste cariz. O esforço feito pela Câmara neste sentido foi evidente e é de louvar. É óbvio que passados alguns anos Guimarães começa a colher os frutos semeados.

Guimarães possui um património já por si inigualável, o castelo e zonas circundantes já tinham sido intervencionadas e valorizadas, mas o que interessa salientar aqui foi a revitalização do seu centro histórico. O Centro histórico de Guimarães de características medievais, precisava de uma revitalização urgente, devido ao uso indevido do seu património edificado, e posterior vandalização.
O processo de reabilitação do centro histórico, passou por um envolvimento da população nas próprias obras e na requalificação das suas próprias casas e ambiente urbano. Este processo permitiu que a população pudesse passar a desfrutar de entendimento do próprio património vernacular que possuíam. Percebendo que as casas que foram habitadas pelos seus avós que agora eram suas, possuem valor, que há interesse por quem é de fora, até interesse mundial nas suas casas. Com alguma persistência conseguiu-se educar uma população e faze-la preterir caixilhos de madeira por caixilhos de alumínio.

Neste momento Guimarães é uma cidade próspera, que consegue atrair investimento turístico e económico muito á custa de todo o investimento e valorização que foi feito no legado patrimonial que possuíam.

O caso da Enatur Pousadas de Portugal, é outro exemplo em intervenções feitas sobre tutela do IPPAR da altura, em património edificado de inegável valor arquitectónico.
A revitalização destes espaços e sua posterior valorização económica como pousadas de luxo, que por sua vez se tornaram motores da economia destes locais é sem duvida um caso e um modelo a repetir. As intervenções feitas por arquitectos de reconhecido valor nacional nestes monumentos ajudaram à reutilização sábia destes antigos conventos.
Contudo não podemos estabelecer uma regra, que todos os conventos abandonados se transformem em estabelecimentos hoteleiros de luxo, muitos destes edifícios não comportam meios para albergar tais funções, e podem se transformar em autênticos crimes ao património.

Estes 3 exemplos servem para se perceber como é possível conciliar património e a sua valorização e posterior rentabilização ao mesmo tempo que se sensibiliza e educa as populações para o legado que lhe és transmitido e que importa transmitir dentro do possível inalterado às gerações vindouras.

Conselho de Segurança

Tocou-se aqui numa questão fundamental para as relações internacionais: a redefinição do papel e alteração da composição do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Não é, porventura, apenas a entrada dos BRIC (sem a China e a Rússia, que já lá estão) que faria sentido e o Gonçalo tocou num ponto interessante: a Alemanha. Todos sabemos as razões histórias que levaram a que esta não estivesse entre os membros com assento permanente, mas hoje em dia será que ainda faz sentido termos Inglaterra e França, deixando de fora a Alemanha, a Itália ou até mesmo a Espanha? (Isto só para falar de alguns países Europeus com legítimas pretensões.) Será que a ideia do senhor Solana – UE representada no Conselho de Segurança - não será mais equilibrada? Estariam a França e a Inglaterra dispostas a abdicar do seu direito a favor da UE?

E é legítimo deixarmos de fora a África e o Médio Oriente como fazemos hoje em dia?

Dando um passo ainda mais à frente, será que o Conselho de Segurança ainda faz sentido no mundo em que vivemos? Ou, melhor dizendo, será que ainda faz sentido nos moldes em que existe, actualmente, como órgão no qual nem todos os países estão representados – o que deita por terra o princípio da igualdade -, e em que cada um dos membros tem direito de veto?

Não vejo ninguém da política a querer ter esta discussão. Esta vai entretendo apenas os teóricos e os “scholars” e quem acha estimulante discutir este tipo de questões que sendo muitíssimo interessantes do ponto de vista intelectual são perfeitamente desprezadas pelo mundo político.

Não há coincindências

Meus amigos, é que nem de propósito...

Entidade reguladora


Caros amigos, como já devem ter reparado, tem havido um aumento dos comentários duma forma quase "especulativa", levando à ameaça de ocorrência de um crash da credibilidade deste blog. Devido a isto a administração, resolveu seguir a moda vigente , passando a intervir nesta área, sendo os comentários, a partir de agora regulados por mim ou por qualquer outro dos administradores. Este estado de coisas manter-se-á até que a administração decida o contrario.
Lamento mas acabou a brincadeira.

TIJ + KOSOVO

De regresso ao O Novo Século:
Foi aprovado hoje na Assembleia-Geral (AG) da ONU um pedido da Sérvia para que o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) de Haia analise a independência do Kosovo. O mesmo foi aprovado com 77 votos a favor, 6 contra e, 74 abstenções. Aos segundos contamos além da Albânia os Estados Unidos da América.
A ter em conta: como é sabido, Portugal reconheceu ontem o Kosovo como Estado independente sendo o 48º país do mundo a fazê-lo, e o 22º europeu.
Não serve este post para reflectir sobre a matéria directamente em causa, na medida em que a BSC já o fez e, onde na generalidade concordo, mas antes para um repensar algumas instituições internacionais afectas às Nações Unidas.
Assistimos hoje mais uma vez à louvada natureza democrática da AG da ONU a qual também deveria caracterizar já hoje o Conselho de Segurança (CS). Finda a Guerra Fria entendo já não fazer sentido a existência do poder de veto neste organismo internacional. Apesar da natural coexistência pacífica que deve sempre pautar as relações internacionais, facto é que, a conjuntura se alterou devendo tal figura jurídica desaparecer do âmbito de funcionamento do CS da ONU. Esta só atrasa o processo de resolução (legítima) dos problemas internacionais.
Por outro lado, é hoje urgente um processo de alargamento dos países com assento permanente no CS. Fenómenos como o terrorismo, os choques cultural, religioso e civilizacional, as economias emergentes, a pobreza, além das questões ambientais e ecológicas devem ter um "directo representante" no já referido organismo. Assim, Brasil, Índia, Alemanha, África do Sul e outros deverão ser nomes a estar em cima da mesa.
No que diz respeito ao Tribunal Internacional de Justiça, deixo as minhas dúvidas quanto à sua necessidade de existência nos actuais parâmetros. Fará sentido a existência de um organismo jurisdicional de âmbito mundial, (independente e imparcial) sem poder coactivo?! Ou seja, até que ponto pragmaticamente é útil nos actuais moldes que o TIJ exista sem poder vinculativo das suas decisões. Com isto digo que juridicamente o pedido da Sérvia é inútil (surjindo em qualquer sentido que seja) na medida em que, são os Estados autonomamente soberanos para deliberar sobre estas matérias não havendo aqui qualquer interferência de algum organismo internacional.
Em suma, considero que o TIJ é meramente um órgão virtual e ficcionário, não tendo uma matriz jurisdicional/judicial mas sim uma natureza marcadamente politica e politizada.
Entendo que qualquer Estado que dele (TIJ) faça parte, em matérias com relevância internacional, e nas quais seja parte na questão, deva cumprir as suas decisões como as de outro qualquer Tribunal interno.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sarah



Tenho uma relação amor-ódio com Sarah Palin. Por um lado sinto-me atraído pelo seu carisma, garra, competência administrativa, agressividade em debate e pelo seu "good looks". Por outro lado, esta "chruch girl", diz que a guerra do Iraque foi vontade de Deus, defende a teoria do criacionismo, e parece ter um gostinho especial em participar em exorcismos. Eu tento-me dizer a mim próprio que as crenças pessoais dos candidatos, não devem interferir na sua escolha. Mas logo me lembro que esta senhora pode ter acesso ao botão vermelho. E isto faz-me sentir arrepios na espinha...

P.S.: "Obamistas": não cantem vitoria, pois eu não passei para o vosso lado. Até porque o vosso herói gosta muito de falar em bombardear o Paquistão, o que tambem me provoca arrepios na espinha.

MECdreamy

Para todos aqueles que, como eu, gostam e têm saudades do Miguel Esteves Cardoso e do seu estilo primoroso, eis uma entrevista imperdível na qual se fala de comida, de política, de cultura, de livros e do Portugal que temos... tudo regado com aquele delicioso humor "MEC" do qual já sentíamos falta.

A ouvir, aqui.

Obrigado.



Fez, no passado dia 6 de Outubro, 9 anos que Amália Rodrigues morreu. Por tudo o que deu a Portugal e o legado que nos deixou, o meu muito obrigado.

Cultura - uma visão.

Tiago,

Inteiramente de acordo com a importância da Cultura para o desenvolvimento de um Povo, assim como, também, entendo que a Cultura pode servir de indicador de desenvolvimento de um País. Pois, como dizes, e bem, quem se preocupa com Cultura em principio já ultrapassou todo um conjunto de questões primárias e essenciais.
No entanto, isso não significa que a População tenha que ser educada ou forçada a apreciar e entender qualquer tipo de Arte. Andas mal, quando esqueces todas as causas que promovem o aumento do nível cultural de um Povo. Os Nórdicos não são mais cultos que nós porque sim ou porque alguém, de repente, se lembrou de decidir que todos eles deviam ler no metro ou no autocarro.
De facto, falar das franjas (vanguardas) é muito bonito e romântico, mas, não dizes quem define o que é bom ou mau! Quando defendes o subsídio/financiamento – como é comum no meio artístico – omites i) quem deve subsidiar ii) quem deve ser subsidiado iii) o que realmente é importante subsidiar iv) porque é que deve ser subsidiado. Ora, como não partilho dessa visão Socialista e como não acredito que as Pessoas devam ser educadas por decreto, prefiro que sejam as pessoas (se quiseres, o Mercado) a decidir, por elas próprias, o que querem comprar, ver ou pagar. E não uma entidade qualquer com gostos no mínimo duvidosos. Não é pelos subsídios acabarem que a Arte deixa de existir, longe disso. Preocupante é a situação actual, onde o Público é concorrente directo do Privado (o que, desde logo, vai contra todos os princípios de mercado livre), ou seja, enquanto o Estado continuar a subsidiar, vai afastando o investimento Privado. É impraticável concorrer com quem dispõe de dinheiro para esbanjar.
Vê o caso do Rivoli – que conheces bem! Durante a fase dos subsídios tinha uma média de 15 espectadores por espectáculo, após a mudança para um Privado está cheio, deu vida à baixa, dinamizou o turismo e, consequentemente, a Economia da Cidade. Isso é mau?
Mais, o que é criticável nos artistas (?) é exactamente esse pensamento de se acharem superiores e mais cultos que os outros. Essa postura está bem patente no texto anterior, onde afirmas o seguinte “…não enche salas de cinema e nem todos têm a sensibilidade para o poder entender…”! Bom, seguindo um critério lógico, se milhões não entendem e apenas algumas dezenas o conseguem…A conclusão deixo-a para ti! Outro exemplo dessa superioridade moral, que vigora no meio artístico, é a frase pérolas a porcos. Ao que parece, quem partilhar os teus gostos é um erudito, o contrário é um porco! Gostava era de saber quem é que decide o que é bonito ou feio, bom ou mau, etc... Pena que não se perceba que o que uns gostam outros podem não gostar. Chama-se Democracia e respeito pela vontade diferente. No fundo, é a Liberdade!
É lamentável acreditares que o subsídio é sinónimo de Arte, pior, sofres do preconceito que quem é contra os subsídios (no caso, à Cultura) não gosta de Arte ou é ignorante.