terça-feira, 7 de outubro de 2008

Cultura - uma visão

Filipa César - ringhban

A Cultura é um ponto importante para a educação e promoção de um Povo no mundo. A cultura abrange áreas tão diversas como a gastronomia, as artes plásticas, o cinema, a fotografia, a dança, o teatro.

A cultura de uma população é um bom indicador do grau de desenvolvimento de um Pais e das suas populações. Quando um povo tem tempo para se dedicar à valorização e fruição da sua cultura é sinal que questões de índole maior como a Fome, a Saúde, a Habitação condigna para todos já se encontram parcialmente resolvidas. Um povo que possui cultura, e interesse por áreas que vão da gastronomia ao teatro, que produz cultura, é um povo erudito, e pode ser um povo que produzirá marcas intemporais no século em que vive.

Actualmente vamos a museus ou cidades, visitar vestígios ou sítios arqueológicos, visitando a cultura e os artefactos produzidos por este povo. O que realmente fica para a posteridade são as marcas que uma civilização produziu através dos instrumentos da cultura.

É por isso importante educar as populações para a sensibilização e produção de cultura.
Portugal encontra-se ainda numa fase embrionária. A cultura em Portugal ainda é vista como um assunto de menor importância, apenas tratado por alguns ou até uma área que normalmente a esquerda absorve e bem. A cultura e o seu tratamento como assunto menor, mostra a ignorância de alguns. Portugal encontra-se assim num processo que se pode apelidar de embrionário, pois só agora se começa a dar algum valor aos processos culturais e aos frutos que se pode colher deste assunto menor.

As vanguardas artísticas foram e vão continuar a ser as produtoras de cultura de qualidade, de cultura que avança em termos artísticos e só por si avança e marca um século e uma década.
Estas franjas sempre marginais ao processo artístico instalado são importantíssimas para a produção de cultura de qualidade, de produtos artísticos de excelência que vão por sua vez internacionalizar o Pais e o seu povo. É obvio que estes nichos das vanguardas não são acessíveis a todos, devido à fraca sensibilização cultural da nossa população, contudo estas vanguardas devem ser financiadas e promovidas enquanto tal, isto apenas quando o seu valor for reconhecido como motor possível de avanço artístico/cultural, para mais tarde as podermos fruir em pleno.

Em Portugal existem vanguardas, artistas de reconhecido valor artístico, como Cabrita Reis, Julião Sarmento, Paula Rego, Joana Vaconcelos estes obviamente já pertencem ao de arte mundial e já têm o seu reconhecimento além fronteiras ao mesmo tempo que ajudam a divulgação do nome Portugal no mundo, mas existem outros que ainda não têm este valor reconhecido, e que muitas vezes são preteridos em torno de interesses económicos mais vantajosos.
Como exemplo disso temos casos recentes onde salas de espectáculo são dadas à exploração a companhias de eventos que se dizem produzir espectáculos, por vezes duvidosos em termos artísticos, e que apenas promovem o lucro fácil.

É obvio que um filme de Manoel de Oliveira não é rentável economicamente, pois não enche salas de cinema e nem todos têm a sensibilidade para o poder entender, mas o seu valor é reconhecido mundialmente, e o nome de Portugal faz-se ouvir devido aos seus filmes.
É essencial não promover o espectáculo fácil e economicamente viável em detrimento do artístico que não estamos preparados para aceitar. É obvio que não se pode dar pérolas a porcos…mas sim tentar deixar de ter porcos para podermos ter mais pérolas.
A Cultura têm obviamente de tentar ser lucrativa, mas não se pode exigir lucros imediatos nem receitas totais e a 100%.

O caso de Serralves no Porto é um caso exemplar de cultura lucrativa. A persistência de um conjunto de mecenas associados ao Estado com a ideia de promover a arte contemporânea com valor internacional e nacional, teve resultados.
Serralves é sem dúvida alguma um exemplo de conjugação de esforços entre uma boa gestão e uma correcta e acertada escolha de arte a promover. A criação de um público assíduo do espaço de Serralves, sendo este público consumidor de espaços como a cafetaria, a livraria, o parque, a loja e também o museu. O público frequenta o espaço de Serralves não só pelo museu mas sim pelos serviços disponibilizados no pacote. O pacote de Serralves é sem dúvida atraente para o consumidor, o consumidor cosmopolita e habituado a estes hábitos que não dispensa na sua vida actual não deixa de visitar o museu e até começar a consumir arte contemporânea.

A promoção do museu no Pais, a marca associada a Serralves tanto internacional como a nível nacional tornou-se já uma referência de cosmopolitismo importante na promoção da cultura.
A cultura não é só para alguns, a cultura é para todos, mas para ser para todos temos de a embrulhar num pacote bem bonito e atraente. Serralves torna-se assim excepção aos restantes museus portugueses, e à ineficácia do sistema operativo que os gere actualmente.
À parte de um ou outro museu que vive associado a edifícios emblemáticos e de valor arquitectónico referencial no Pais, como o caso do Palácio da Pena em Sintra, os restantes museus vivem de exposições temporárias e de um acervo de arte mal gerido e defeituosamente mostrado ao público.
É necessário que estes museus sigam o exemplo de Serralves ou da Gulbenkian, utilizando pacotes atractivos para poder chamar a população, sensibilizando o povo para o que as vanguardas estão neste momento a produzir.
Vejamos o desenvolvimento que Bilbao teve depois do efeito Gugenheim, as receitas turísticas que advêm deste museu para toda a Espanha. Portugal precisa de um museu com escala mundial. O seu espólio em parte já está constituído, bastaria o desmantelar e aglutinar de espólios como o do Soares dos Reis no Porto, de Arte Antiga em Lisboa e de colecções privadas já na posse do Estado como a colecção Berardo.

A ineficácia de alguns museus em Portugal deve ser colmatada pela criação deste grande pacote museológico com uma marca identitária forte, exportando esse produto para o mundo e com ele esperar os frutos. Agora sim poderíamos dar as nossas pérolas aos porcos…

Está Marx a rir-se??



Nos últimos dias muita gente tem falado na "morte do capitalismo". Não me espanta, dadas as circunstâncias, que os fiéis discípulos de Marx tresleiam na actual crise passagens do Das Kapital. O que me surpreende é que pessoas que, até há uma semana, eram moderadamente liberais e "crentes" na economia de mercado hoje se aventurem por território desconhecido, pedindo mais intervenção do Estado, mais controlo na economia, menos liberdade e mais proteccionismo, passando um cheque em branco a uma entidade de contornos ainda indefinidos, que tanto pode ser um salvador providencial como um monstro insaciável.

Posto isto, não me parece que o capitalismo tenha morrido. Está a sofrer as "dores do crescimento" e apesar dos seus muitos defeitos, ainda assim, é o sistema mais perfeito e aquele que trouxe ao mundo o maior período de prosperidade e desenvolvimento. O que esta crise nos mostra é que teremos que passar para um novo modelo de capitalismo, mais maduro e mais sereno, no qual cabe aos Estados um papel determinante: ser um regulador prudente, sério e fiável. Não quero o Estado na economia, antes pelo contrário. Quero-o fora, independente, atendo e regulador. Quero Autoridades Reguladoras que funcionem, sejam independentes dos interesses e isentas e prudentes na definição das regras. Quero liberdade com regras, porque nos mercados, tal como acontece com as pessoas, na ausência de regra não existe liberdade, apenas caos.

O pior que pode acontecer ao Mundo neste momento é perdermos a confiança no capitalismo. Sem ele, lá se vai a prosperidade, o desenvolvimento e, com jeito, a democracia.



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Também publicado aqui.

Dois pesos e duas medidas

Depois de muita insistência do Rodrigo, que só lhe fica bem como dinamizador deste Blog, retomo a minha participação n' "O Novo Século" e, ao contrário do que seria de esperar, não venho falar da crise financeira e da instabilidade dos mercados, mas antes do debate que terá lugar hoje no Parlamento, sobre o estatuto do Kosovo e a posição Portuguesa quanto ao mesmo.

Pelo que leio há já consenso entre os dois grandes (o Bloco Central ainda aí) para que Portugal siga os seus parceiros europeus e reconheça a independência do Kosovo. Embora tenha as maiores dúvidas sobre qual a melhor solução para o problema que temos em cima da mesa (e que foi em grande parte criado por nós Europeus) de uma coisa tenho a maior certeza, a comunidade internacional, e a Europa em especial, não podem criar uma política de "dois pesos e duas medidas", uma espécie de realpolitik taylor made, adaptável às circunstâncias e tão mutável e instável quanto a opinião de uma mulher sobre a moda. E isto porque neste momento não é apenas do Kosovo que falamos. Ou melhor, não deveríamos falar do Kosovo sem falar da Ossétia do Sul e da Abecásia, dois territórios pro-russos que pretendem a sua "auto-determinação" e que a comunidade internacional do "nosso lado do mundo" se recusa a aceitar.

O reconhecimento da independência do Kosovo, na minha opinião, abre um gravíssimo precedente para as leis internacionais e depois disto será muito difícil negar o mesmo direito que oferecemos aos kosovares a quem, invocando este reconhecimento, nos vier pedir nada mais do que "tratamento igual".

Teixeira dos Bancos


Assistimos ontem à "Segunda-feira mais negra desde 1987" (tal como diz O Público) desvalorizando cerca de 10% e chegando mesmo a estar suspensa durante uns minutos... Títulos como a EDP e a GALP perderam mais de 16 e 13% respectivamente. Só Américo Amorim e Belmiro de Azevedo viram às suas posições serem subtraidos aproximadamente 550 milhões de euros num só dia... Teixeira dos Santos afirma que o sistema bancário português é do mais sólido que existe mas ao mesmo tempo "garante as poupanças de todos os portugueses aconteça o que acontecer"...isto leva-me a fazer a pergunta, mas que poupanças? Mesmo sabendo que já diversos países europeus fizeram o mesmo (garantir os depósitos) esta pequenissima inversão de discurso leva-me a crer que algo poderá estar na calha... BPN?? BPP?? BPI??
Continuamos a aguardar por próximos episódios...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Plano Paulson (2)


Hoje as principais bolsas europeias abriram todas com quedas acentuadas devido aos investidores desconfiarem da eficácia do Plano Paulson.
O PSI-20 acompanha a tendência desvalorizando até este momento quase 4%, tendo já tocado os mínimos de 2005... Na Europa, as perdas são superiores a 4%, com algumas bolsas a desvalorizarem mesmo mais de 5%, perante as preocupações de que a crise no crédito esteja a piorar uma vez que o BNP Paribas tomou o controlo do Fortis e o Estado Alemão elaborou um plano no valor de 50 mil milhões de euros para salvar o Hypo Real Estate...
Quais os próximos episódios?

domingo, 5 de outubro de 2008

Viva a República!! (2)

CAA no blasfémias:


Naquela frase sintetizou-se a essência da fé monárquica: eles acreditam piamente que o acaso do nascimento lhes deve propiciar um acervo de privilégios face ao cidadão comum destituído de certificado de ‘pedigree’.
(...)
Não há uma questão de regime entre nós. Também por isso, a imposição constitucional da forma republicana de Governo é escusada e apenas gera capital de queixa. Sou, até, pela realização de um referendo – serviria para que muitos percebessem, de uma vez por todas, a caricatura que são os nossos aspirantes a fidalgos. O que muito beneficiaria a direita política, que tanto tem sofrido com a sua omnipresença irremediavelmente bolorenta.»

Viva a República!!



"Mandou-me procurar? Passe cidadão!"

Somos a inveja da Europa senhores!!



Não gosto de Rui Pereira. Primeiro ignorou todos os avisos da oposição relativamente à crescente onda de crimes, acusando esta de demagogia e populismo (o mais recente cliché da esquerda portuguesa). De seguida, quando o país durante o verão se tornou uma espécie de "Iraque dos pequeninos", e perante a revolta da opinião publica , Rui Pereira resolve atacar em duas frentes. Primeiro monta uma série de operações espectáculo com meios megalómanos. Houve ali um momento que cheguei a pensar que ía ver tanques de guerra a tomar de assalto a quinta da fonte ("russian style"), para apanhar a costumada chusma de bêbados e pedintes. A segunda frente consistiu em tentar intimidar com a sua habitual arrogância moral e intelectual todos os que ousavam falar desta onda de crimes. A oposição levou com a habitual acusação de demagogia e populismo, os jornalistas levaram por, vejam lá, relatarem demasiados crimes, não dando a devida atenção às coisas tão bonitas que o Portugal de Sócrates tem para mostrar. Já o comum da sociedade portuguesa foi acusada de estar a sofrer um sério ataque de histeria em massa . Não contente com isto, apontou para mais alto, acusando o presidente de ser culpado de não haver mais polícias na rua, devido a um atraso na aprovação da lei orgânica da GNR. Isto revelou-se muita areia para a camioneta, deste "bully" da política portuguesa, levando este, um valente "puxão de orelhas" do Professor Presidente, ao mesmo tempo que era desautorizado pelo próprio governo na pessoa do ministro da presidência.
Enquanto esta tragicomédia se desenrolava, o principal partido da oposição (PPD-PSD), seguindo os bons hábitos peninsulares fazia uma "siesta" durante o pesado calor do verão, apenas abrindo os olhos para gritar "demitam-no!", (uma espécie de "Mata! Queima ! Esfola!" da politica portuguesa), para os fechar de seguida continuando com o seu silencioso sono.
Deve o leitor pensar que concordo com este dorminhoco partido. Afinal como eu disse no princípio deste texto, não gosto de Rui Pereira: a sua arrogância moral, ligada à sua mediocridade intelectual tornam-no num dos ministros mais insuportáveis deste governo. Contudo isto não constitui razão para se demitir um ministro. Haveria razão para a chicotada psicológica caso o Rui Pereira fosse directamente responsável pela não contenção da onda de crimes, o que me parece errado. Na minha opinião os responsáveis pela crescente criminalidade em Portugal são todas as mentes iluminadas que constituem a nossa classe dirigente (incluindo Rui Pereira mas não só), nomeadamente aqueles que contribuíram para a realização do código penal, sucessivas alterações e legislação avulsa, tendo como actual líder o ministro da justiça. Interessante grupo este : sendo detentores dum gigantesco e colectivo complexo do messias, sempre (desde os longínquos anos 80) encararam os criminosos, não como ameaças para a sociedade (devendo por isso ser punidos), mas apenas como filhos pródigos, ou como ovelhas tresmalhadas que precisam de ser guiadas de volta ao rebanho pelo "bom pastor". E aí de quem afirmasse que a punição era uma parte fundamental de qualquer sistema penal, a "lucidez" e absoluta crença na bondade inata do género humano levaria a correrem o imprudente tratando-o de fascista para cima.
Houve um tempo que este tipo de legislação não tinha grande consequência. O facto de vivermos num país periférico, atrasado e relativamente sossegado, aliado ao mito do "país dos brandos costumes" levou a que o problema da criminalidade fosse durante muito tempo ignorado. Durante muitos anos assistimos a esta espécie de faz de conta em que a polícia, (mal equipada, mal treinada e desmoralizada) fingia que prendia e presseguia criminosos, enquanto que o sistema judicial fingia que os julgava e punia.
Durante anos este fingimento decorreu com o assobio para o lado da classe politica portuguesa, e com a aprovação da maioria da classe jurídica que com um sorriso bondoso nos lábios limitavam-se a justificar esta situação como adequada a um país de brandos costumes. Contudo a realidade tem esse irritante hábito de nos bater á porta. Quando a classe jurídica e política numa explosão de humanismo quase que orgiástico, procedeu as alterações do código de processo penal , dando o golpe de misericórdia ao cadáver da justiça portuguesa o dique rebentou. O país tornou-se num pequeno "farwest" em que muitos aspirantes a "Liberty Valences" e a "Billy the Kid" faziam das suas, conscientes de não haver uma justiça eficiente que os punisse. Isto claro, sem o factor dissuasor da existência na área dum rancheiro tipo John Wayne ou dum "bounty hunter" ao estilo de Clint Eastwood.
E como reagem os nossos "reis" e "senhores" a toda e qualquer questão, sobre a temática da segurança que se lhes faça? Esboçam um abundante e bondoso sorriso e tal o Conde de Ribamar dizia ao Padre Amaro e ao Conego Dias (O Crime do Padre Amaro, Eça de Queirós), estes dizem: "Não lhes dê isso cuidado, meus senhores, não lhes dê isso cuidado! É possível que haja aí um ou dois esturrados que se queixem, digam tolices sobre a decadência de Portugal, e que estamos num marasmo, e que vamos caindo no embrutecimento, e que isto assim não pode durar dez anos, etc., etc. Baboseiras!... (...) A verdade, meus senhores é que os estrangeiros invejam-nos..." E estendendo o braço com a imponencia com que um Alexandre apontaria para a Macedónia dizem: "...Vejam toda esta paz, esta prosperidade, este contentamento... Meus senhores, não admira realmente que sejamos a inveja da Europa"
E tal como os três personagens do imortal romance queirosiano, estes Amaros, Dias e Ribamares do nosso tempo, olham com orgulho e ternura, a sua grandiosa obra que consiste este Portugal do seculo XXI, que tanto faz lembrar o do seculo XIX.

P.S.: Este artigo também foi publicado no jornal "O Concelho".

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Debate vice-presidencial

Se o debate presidencial foi uma guerra de trincheiras, o vice-presidencial foi uma blitzkrieg... e Sarah Pallin era a wehrmacht.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

País de advogados...


As faculdades de Direito deste país estão a aumentar o número de vagas disponiveís para resolverem problemas de financiamento... Acho esta notícia absolutamente deliciosa!
Este ano em Lisboa, Coimbra e Porto entraram perto de 1000 novos caloiros (isto só a contar com as públicas). Só como curiosidade Portugal tem um advogado por cada 350 habitantes e um país como a França tem um por cada 1800...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Plano Paulson CHUMBADO!


O plano de emergência proposto pelo presidente dos EUA, George W. Bush, e que tinha conseguido reunir consenso entre os membros do Congresso, acaba de ser chumbado pela Câmara dos Representantes.
O «Plano Paulson», assim chamado em alusão ao secretário de Estado do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, previa a atribuição de 700 mil milhões de dólares para ajudar a salvar o sistema financeiro da crise em que se encontrava. Era a maior intrevenção do Estado Americano na Economia desde o New Deal. Apesar de representantes dos Democratas e Republicanos estarem reunidos neste momento para tentar alterar a posição do voto acho que ainda não é hoje que vamos assistir a uma nacionalização massiva nos EUA.

domingo, 28 de setembro de 2008

Redistribuição de riquezas...



Tb aqui no The People's Cube

Há coisas que nunca mudam...



Estou agora a ler o "Alves e C.ª" do Eça (romance que retrata a vida quotidiana da burguesia lisboeta) e deparei-me, logo no primeiro capitulo, com um excerto, que bem podia retratar a realidade actual: "Godofredo parou, verificou o seu próprio relógio, preso por uma corrente de cabelo sobre o colete branco, e não conteve um gesto de irritação vendo a sua manhã assim perdida pelas repartições do ministério da marinha. Era sempre assim, quando seu negocio de comissões para o ultramar o levava lá. Apesar de ter um primo director-geral, de escorregar de vez em quando uma placa de cinco tostões nos contínuos , de ter descontado letras de favor a dois segundos oficiais, eram sempre as mesmas esperas dormentes pelo ministro, um folhear eterno de papelada, hesitações, demoras, todo um conjunto de trabalho irregular, rangente e desconjuntado de velha máquina meio desaparafusada."
Era assim o Portugal "liberal" do século XIX: atrasado, burocrático e dificultador da livre iniciativa. Ou seja muito parecido com o do século XXI.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mudar de Vida

Marques Mendes, na apresentação do seu livro "Mudar de Vida", fez o que na minha opinião foi o melhor discurso de direita dos ultimos anos. Cada vez mais me convenço que este foi o homem certo, no momento errado.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Quem tem medo do liberalismo...

Nunca vi tanta gente sábia na minha vida. Toda a sociedade portuguesa, desde o mais modesto carpinteiro até ao mais respeitável e sublime estadista, parece saber a causa e solução da recente crise financeira. No entanto há uma coisa que parece ser considerada verdade absoluta, e comum a todas as mentes bem pensantes: esta crise é o resultado da falta de regulação. Não sendo eu (ao contrário de todos os portugueses) entendido em economia, custa-me a perceber como é que esta afirmação, se coaduna com o facto da FED, publicar em média 70000 paginas de nova regulação por ano. Não haverá demasiada regulação? Pergunto eu na minha ignorância. Tanta que se torne demasiado complicada e ineficaz. Afinal já dizia o velho Platão: “Quanto mais leis, mais fácil é quebra-las”. Pergunto também a quem me souber responder, se as baixas taxas de juro da FED, (essa gloriosa entidade reguladora), não terão contribuído para a malta se endividar como se não houvesse amanhã?
Mas quem é o responsável por esta “falta de regulação”? O “Liberalismo” ou “Neo-Liberalismo”, ou lá o que seja, que presentemente é o papão da moda. Mas descansa meu querido Portugal que o liberalismo não constitui uma ameaça para ti. Todo a nação se entrepõe entre ti e o menor domínio da sociedade, por parte do estado: A extrema-esquerda, ainda de luto pela “grande pátria soviética”, desenterra os velhos estandartes, e com um “eu bem dizia” e ao som de Zéca Afonso nos lábios, reúne as suas hostes e prepara o “round two” contra o capitalismo. A esquerda moderada, tendo por arautos os ilustres membros do nosso governo avisam num chinfrim tremendo “que não pode haver mais economia do casino”, e dão a entender que vem aí uma avalanche de controlo de preços. A direita, (a que pensa em mais coisas que moral, bons costumes e ultramar), gosta demasiado do respeitinho para permitir um sociedade civil menos dominado pelo estado. Tendo como ídolos D. João II, Pombal e Salazar, não consegue resistir á ideia do estado esmagar os “poderosos”, pelo simples facto estes serem poderosos. A classe politica… bem ainda estou para ver uma classe que abdique voluntariamente do poder. Os grandes empresários, (que vivem á sombra do poder politico) não ousam reclamar contra o estado por terem medo das consequências e porque (“it takes two to tango”), gostam da ideia duma economia atrofiada que dificulte a aparição de novas empresas, e traga essa coisa irritante que é a concorrência. Os senhores iluminados da cultura, que por esse país fora ameaçam realizar o primeiro genocídio através do tédio, e que não hesitam em insultar de burro para baixo quem ousar criticar as suas “obras-primas”, horroriza-se com o liberalismo, pois tem consciência que devido á sua própria mediocridade (salvo raras excepções), não conseguiria sobreviver sem essa muleta monetária que é o estado. Por ultimo a igreja. Desagrada-lhe o liberalismo, porque por um lado tem inscrito no seu código genético o ódio ao lucro; por outro desconfia sempre da livre iniciativa e do livre arbitro: é preciso um bom pastor que guie as ovelhas. O seu único problema constitui a forma como este guiou e guia o seu rebanho, nada mais.
Portanto descansem todos os portugueses que tremem cada vez que ouvem a palavra liberalismo, pois toda a nação está do vosso lado para lutar contra este lobo mau do século XXI.