segunda-feira, 10 de novembro de 2008

McCain and Obama



Há algo no discurso dos dois candidatos que só tinha visto até agora nos livros de história: há dignidade, cavalheirismo, sentido de estado ,de cidadania e de história.
Na minha opinião os candidatos vieram de dois mundos diferentes. Mas no entanto eram o melhor que ambos os mundos tinham para oferecer. Isto foi positivo para um mundo em que os políticos assumem cada vez mais a imagem de burocratas cinzentos.
McCain com o seu passado de militar , com a sua, honestidade rebeldia, e individualismo (“O Maverick”) é um herói clássico, e faz parte da mitologia americana. Talvez esse tenha sido a origem da campanha falhada de McCain. É que um rebelde, um cawboy solitario, por melhor que maneje o seu “six-shooter”, nunca pode ser um líder. O herói clássico (rebelde e individualista) quando líder e portanto membro do grupo, perde-se, confunde-se, sente-se preso . Ninguém se lembra de Aquiles a comandar os Mermidões. No entanto todos se lembram de Aquiles a lutar “mano a mano” contra Heitor.
No entanto, apesar do falhanço da sua campanha, notou-se, quando Obama no seu discurso de vitoria o elogiou, e aquelas 100000 pessoas se calaram num silencio respeitoso, que todo o povo americano tem um enorme carinho e respeito por McCain.

Por outro lado temos Obama: inovador, inteligente, extremamente carismático, nunca demasiado fracturante, nem negro, nem branco, mas com uma pose e atitude que poderia ser do mais elitista WASP, ou BB. Ele é sem duvida o líder, o factor de união. A intrigante mistura de aristocrata e populista fazem dele uma espécie de César dos tempos modernos. He is the king! Foi por isso na minha opinião que Obama ganhou.
Ele, como nunca outro, pelo apoio que tem das duas câmaras, pelo apoio incondicional da opinião publica, tanto americana como mundial pode fazer provavelmente mais do que qualquer presidente americano. Contudo isto é o que me preocupa: O apoio das duas câmaras, mais da opinião publica americana e mundial tornam-no demasiado poderoso, se calhar poderoso em demasia. Tenho medo que adulação que lhe é prestada por dezenas de milhões em todo o mundo: Não poderá subir á cabeça de Obama? Afinal não seria a primeira vez que um virtuoso líder se tornaria num corrupto tirano.
Por ultimo: não pode este homem, que á primeira vista parece admirável, começar a fazer todos os disparates possíveis e imaginários porque tem legiões de fanáticos por trás a gritar "yes we can"?

3 comentários:

Nuno Silva disse...

Caro Rodrigo

Não me parece que Obama se perca pelo multidão de gente que o segue mas exactamente o contrario.
Este é um Presidente (eleito ainda) que não vai ter um estado de graça...no dia 20 de Janeiro as 12h01 o Mundo vai cobrar a Obama algo que ele, a meu ver, não vai corresponder. Tal como o Tiago Loureiro dizia num post seu aqui no Novo Século, "Na economia, mais liberal do que se pensa. Socialmente, menos estatista do que parece prometer. Nos costumes, mais conservador do que se julga. Na política externa, menos pacifista do que se espera." ou seja, este Obama verdadeiro vai alienar a grande popularidade que tem no Mundo e vai perder a grande multidão que arrastava.

Ele nem sequer vai ter tempo para que isto lhe suba a cabeça, ele perde-o antes..

Abraço

Rodrigo Lobo d'Ávila disse...

Caro Nuno:

Não concordo contigo, porque o teu raciocínio assenta, em três premissas:

1) As pessoas pensam que Obama é de esquerda.

2) Os seus aduladores são de esquerda.

3) Por consequência, dado o facto de Obama ser um moderado, vão se desiludir rapidamente.

No entanto Obama recolhe aduladores, da direita conservadora á extrema esquerda. Alias a popularidade mundial dele, é demasiado grande para se dever apenas ás ideias politicas dele. Muito pelo contrário a sua enorme popularidade deve-se muito apenas devido ao seu carisma: á aura que o envolve. A razão dos seus aduladores o adorarem como um messias, é puramente emocional e nada racional (como não poderia deixar de se, nestes casos). Por isso é que os Obamistas de todo o mundo viram, vem, e continuaram a ver nas atitudes e nos ditos de obama o que querem ver. Por isso a sua popularidade, se diminuir, diminuirá muito pouco. Daí as minhas reservas.

Nuno Silva disse...

Concordo que ele atinge as pessoas, da direita à esquerda, pelo seu carisma...mas também pelo facto dos esquerdistas pensarem que ele é de esquerda e a direita ver tiques liberais económicos e conservadores sociais no seu discurso...acontece que quem lhe vai cobrar no dia 20 Janeiro é a própria esquerda que vai ver, após uns meses de presidência que Obama não é de esquerda...parece-me que seja pela esquerda que ele vai perder o tal estado de graça! No entanto, a tal base conservadora que gosta dele vai-se manter, talvez até ganhar mais alguma. Assim, quanto as premissas que enumeras no meu 1o post, continuo a achar que a 1a e a 3a se mantêm...a maioria das pessoas (fora do EUA, já que dentro essa dicotomia não tem grande importância) pensa que ele é de esquerda. A esquerda vai perder o seu amor por ver o lado mais moderado de Obama...
Quanto a sua aura, como já tinha-mos falado, também a mim me cativa...mas o Presidente Obama não será o Senador em campanha presidencial...até porque não o deseja nem teria tempo para correr o país a maravilhar o povo com a sua retórica e o seu "charme" diremos assim...